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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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De juras eternas a um divórcio litigioso

As relações entre Portugal e Angola estão numa situação demasiado periclitante. O senhor Presidente da República foi, ao que sei, o único estadista europeu a ir àquela antiga colónia portuguesa assistir à tomada de posse do novo Presidente da República Popular de Angola.

Ora até aqui tudo bem, já que naquele país trabalham muitos portugueses. Era necessário fazer-lhes ver que Portugal está atento.

O que realmente me surpreendeu foi que o novo PR angolano, no seu discurso de tomada de posse, nomeou uma série de países a quem quer dar primazia nas relações. Nesta espécie de lista, o actual Chefe de Estado Angolano, não referiu Portugal.

Penso que de propósito.

Esta posição tristemente marcada pelo novo governante angolano, não deverá ter caído bem nem Marcelo (mesmo que este diga o contrário) nem ao nosso próprio governo, não obstante as declarações esfusiantes de Costa.

Angola foi, desde a sua independência, um parceiro privilegiado de Portugal tanto nas importações como exportações.

Face a esta mais recente postura por parte daquele país Africano, Portugal poderá optar por um de dois caminhos:

1 - ou não liga e tudo acaba por passar como se nada tivesse acontecido, enfraquecendo naturalmente a nossa actual posição naquele país

ou

2 - dá um murro na mesa e pede o divórcio litigioso com consequências ainda por calcular.

Termino com uma máxima que, um dia, uma colega de trabalho me indicou: Antes perder um bom amigo que uma boa resposta.

É a hora de Portugal não deixar cair os seus créditos por mãos alheias, correndo o risco, se não o fizer, de perder toda a credibilidaade na esfera diplomática.

Autárquicas 2017: nada de novo!

Em anos de eleições autárquicas os concelhos enchem-se de obras. A pavimentação de ruas repletas de buracos, o concerto de passeios que durante meses e anos foram esventrados e jamais tratados, as belas obras sociais que depois não servem a população porque... falta pessoal especializado.

Tudo serve para mostrar obra, que no fim de contas só serve para "inglês ver", como diz o povo.

Há uns anos um candidato a uma Câmara foi entrevistado para um jornal regional. Questões para aqui respostas para ali, já de gravador desligado, o candidaato referiu-se ao Presidente da edilidade de forma menos positiva apresentando algumas críticas. A principal é que de que se tinha rodeado, por exemplo, de oito acessores.

Este candidato acabou por ganhar as eleições destronando naturalmente o anterior presidente. Todavia passado pouco tempo o novo Presidente da Câmara não tinha oito acessores como o seu antecessor mas somente... onze!

É por estas e muuuuuuitas outras razões que o povo não vai votar. Não é futebol... que tira gente.

A classe política, desde o mero Presidente de junta de freguesia até ao que ocupa um lugar em S.Bento, perdeu, há muito, o estado de graça através da qual, durante muitos anos, enganou o país.

Por isso actualmente Portugal vai saltitando de reforma em reforma, conforme os governos, sem reformar quase nada. Porque o que conta verdadeiramente não é fazer, mas unicamente publicitar um ror de boas intenções.

Novidades, novidades... só amanhã!

À falta de mais demissões governamentais e militares, à ausência de culpados nos fogos de Pedrogão Grande e Castanheira de Pêra, nada melhor para a impressa que… falar do passado.

Este passado remonta a 2016, há um ano precisamente. O dia em que Portugal passou a ser um país com direito a “tempo de antena” nas televisões de todo o mundo, porque um jovem guineense conseguiu a proeza de marcar um golo contra a poderosíssima França na final no Euro2016. E com este remate Portugal conquistou um troféu que lhe fugiu naquela célebre final com a Grécia, em Lisboa, já lá vão uma dúzia de anos.

Desta vez calhou à equipa gaulesa perceber que os jogos só se ganham depois do árbitro apitar para o final do jogo e não por antecipação.

Mas hoje toda a gente recorda aquele Domingo e os dias frenéticos que se seguiram. Como se este país hoje não tivesse mais nada com que se preocupar.

Reconheço que aquele jogo marcou, e de que maneira, a sociedade lusa. Porém o que veio depois não pode nem deve ser esquecido, sob pena de voltarmos a ser novamente um país sem credibilidade. Os acidentes acontecem… aqui e em qualquer lugar do Mundo. Ninguém está imune.

No entanto, convém lembrar que os erros do passado não podem nem devem repetir-se. Não é só de profilaxia que necessitamos. Há a urgente necessidade de assumpção de culpas por parte de alguém. De livre vontade ou impostas. Não se pode empurrar constantemente os problemas e as culpas com a barriga.

Num casamento dito normal os cônjuges casam também com a família do outro. Isto é, os problemas do outro lado são outrossim nossos.

De mesma maneira que os governos não podem nem devem desculpar-se com atitudes de anteriores governações. Quando assumem a governação carregam sempre essa herança. Acontece a todos.

Por isso, será bom que o Governo passa a governar, a assumir as suas responsabilidades em vez de assobiar para o lado ou a ir de férias.

Tudo à volta de um “pê”

O “P”residente de República disse, sobre o caso do roubo do “p”aiol de Tancos, entre outras coisas que “…não deixando ninguém imune…”. Eis assim a ausência de um pê. Em vez de imune não deveria ser im”p”une?

Outro pê que falta é o de “P”rimeiro-Ministro. Numa altura com tantos casos "p"roblemáticos, nada melhor que tirar uma semaninha de férias. À boa maneira lusa… A geringonça definitivamente foi a banhos!

Faltou também a décima segunda consoante ao Ministro da Defesa: falo de “P”ostura de Estado. Outro governante ter-se-ia logo demitido. Mas este “p”ermanece em funções.

Já nem refiro “P”edrogão Grande… Nem é necessário! Creio já ter sido tudo dito, infelizmente. Ou há outrossim outro pê de (não) “P”rotecção Civil?

Depois temos “P”assos Coelho que finalmente disse algo acertado sobre como este governo (não) funciona.

Termino com um último pê de “P”rofessora. Que divulga segredos a quem não deve. Numa época em que tudo se sabe, aquela técnica de educação quase colocou um ano escolar em causa.

Ora no nosso belo “p”aís descobri que há uma evidente ausência de “pês”.

“Pê” com se escreve “P”ortugal!

História dos nossos incêndios

O título sugere que fale aqui de outros grandiosos fogos que deflagraram em Portugal nos últimos anos, porém não é esse o intuito deste texto.

Deste modo recuemos meio século nas nossas vidas. Olhemos para o país dessa altura como se tivéssemos num aparelho como aqueles que agora invadem os nossos ares: um drone.

O que veríamos? Muita pouca floresta, imensos campos cultivados fossem de semeadura ou simplesmente de pastoreio. O povo acordava cedo e cedo pegava na enxada, gadanha ou foice e calcorreava caminhos para cortar a erva, ceifar as searas, mondar as batatas ou o milho. Lembro-me, a título de mero exemplo, do meu falecido avô ter cavado uma fazenda alcatifada de pedras, numa dúzia de dias, para aí depois lançar semente à terra. Sem dúvida outros tempos!

Mas um dia Portugal achou que era tempo de se modernizar. Dos portugueses serem todos iguais, vivessem na cidade ou no campo. De terem mais direitos.

E o país cresceu, desenvolveu-se e em muitas aldeias onde a água, só existia a do poço retirada à força de braços e a luz, a que a lamparina de azeite oferecia, passou a haver luz no tecto e água nos canos. O lume da lareira que cozia as couves e as batatas em viúvas panelas de ferro, foi naturalmente substituído pelo gás de bilha.

Foi a loucura da evolução. Só que…

As pequenas matas onde se recolhia a lenha para a tal lareira deixaram de ser limpas. Depois o velho forno onde era cozido o pão ou a broa, de quinze em quinze dias, deixou de trabalhar porque alguém passava com a carrinha com pão quente todas as manhãs, acordando muito cedo a aldeia. Ora deixou então de ser necessário semear trigo, milho ou o centeio.

Em pouco tempo as matas cresceram exponencialmente. A título de exemplo uma fazenda onde hoje (ainda) existe um pinhal, foi durante muitos anos terra de semeadura e deu centenas de alqueires de milho e trigo, durante dezenas de anos.

O povo aldeão, essencialmente o mais novo, começou então a procurar nas vilas e nas cidades mais costeiras novas formas de rendimento. E diziam quando de lá vinham: em Lisboa é que é vida.

Iniciou-se assim o abandono das terras. Os pais ficavam, mas os filhos partiam. A idade, as doenças e aquela pensão que nunca imaginaram receber obstaram entretanto a que os terrenos continuassem a ser amanhados. Não havia necessidade.

E a floresta a crescer. Desordenadamente!

A terra já não dá milho nem trigo mas dá madeira. E muita e bem paga… e sem trabalho. Nascem assim os eucaliptais e os pinhais bravios. Estes alastram-se desmesuradamente. Até aos dias de hoje.

O mesmo drone que planou no nosso passado, referido acima, deixou agora de ver campos semeados, verdes ou doirados, somente enormes manchas de arvoredo que paulatinamente se estão a transformar em manchas de carvão.

Portugal soltou-se de ser um país essencialmente agrícola, como o fora durante séculos, para se tornar um paraíso em prestação de Serviços. Esplêndido… observaram muitos!

Estamos a pagar por isso.

Pela forma como a nossa classe política nunca olhou para este problema com olhos de ver. E sempre empurrou com a barriga o problema.

Pela forma como tantos técnicos especializados afirmam o que está errado e ninguém os ouve.

Pela forma como o factor climatérico evoluíu negativamente sobre as nossas terras.

O custo de tudo isto começou o país a pagá-lo faz muito tempo, mas este ano o preço, infelizmente, está pela hora da morte.

Obviamente de gente inocente!

Não somos grandes, somos enormes!

Cada vez que olho para o nosso país, considero-o cada vez mais bizarro. Tenho sempre a sensação de que somos assim… imbecilmente derrotistas, mesmo quando ganhamos alguma coisa.

Não sei se esta postura advém ainda daquelas absurdas trovas do Bandarra ou se simplesmente porque gostamos … de sofrer.

Ora bem… Sempre que algo corre menos bem a Portugal, seja no desporto ou na cultura ou noutra actividade qualquer, logo surge a bolorenta ideia de que não prestamos para nada, que somos uns infelizes ou incapazes de dar “aquele passo”. Um chorrilho de tristes conceitos onde o tal fado luso ganha peso e fama.

Detesto derrotistas. Detesto carpideiras. Detesto profetas da desgraça. Especialmente quando já nada disso faz sentido.

Enumeremos então numa mui breve lista:

  • Portugal foi campeão europeu de Futebol sénior;
  • Os melhores jogadores do Mundo de futebol de onze, de praia e futsal são portugueses;
  • Um escritor português foi galardoado com um prémio Nobel da Literatura;
  • Os nossos pintores são altamente considerados;
  • O clima é fantástico;
  • A nossa comida é elogiada pelos grandes chefes;
  • Ganhámos o Festival da Eurovisão com uma das mais belas canções daquele certame;
  • Há uma geringonça que os gauleses de Macron já imitam
  • Temos comprovadamente uma das melhores academias de jogadores de futebol do Mundo;
  • Há diversos campeões olímpicos que são portugueses.

Perante estes dados e muito mais que poderia aqui trazer, ainda achamos que tudo se deve ao demérito dos outros e não à nossa fantástica capacidade para superar as dificuldades.

Que ideia residirá num atleta, que se sacrifica durante anos a fio, ao praticar um determinado desporto, para depois quando alcança uma medalha olímpica, sussurrarem que o mérito não é dele, mas unicamente demérito do adversário?

Como se sentirá um cantor que ganhou um Festival à escala quase mundial, quando afirmam que as outras músicas é que não prestavam para nada?

É tempo de acabarmos com as vitórias morais… que tantas vezes rebaixaram este país. Quer queiram quer não, conseguimos ser bem melhor que muitos outros países. A superação não é um acaso, mas um designío.

Que mais quer este povo?

1º de Maio... dia do empregado?

Ainda não percebi se o 1º de Maio é o dia do trabalhador ou do empregado.

Porque reparem no que os nossos políticos dizem quando se referem à vida laboral:

- a taxa de desemprego está a descer;

- há menos desempregados;

- temos de incentivar a criação de emprego.

Nada de trabalho… nem trabalhadores…

Por isso o dia 1 de Maio está um tanto desvirtuado.

Digo eu!

Os três dias do 25 de Abril

Quarenta e três anos passados sobre aquela quinta-feira de Abril, olho para a nossa sociedade e noto nela diferenças enormes. Não só por aquilo que os portugueses passaram antes do 25 de Abril, como o que decorreu depois. Acima de tudo as desilusões e as frustrações de muitos anseios.

Por isso comecei a perceber que o 25 de Abril corresponde a três dias, sendo cada um desses dias representativos de uma geração.

Colocando as coisas de forma mais prática direi que o Portugal de hoje é constituído pela geração do 24, do 25 e do 26 de Abril.

Passo a explicar:

  • 24 de Abril - são aqueles portugueses, hoje já obviamente idosos e que viveram grande parte da sua vida sob a ditadura. Até podem ter apreciado a Revolução dos Cravos, mas depressa desanimaram com as constantes alterações políticas. Caem quiçá no erro de assumirem: naquele tempo é que era bom!
  • 25 de Abril – são os da minha geração com mais ano, menos ano e que viveram as vicissitudes do golpe de Estado. Durante anos andaram de partido em partido pensando qual o melhor para o país, mas depressa se convenceram que este rectângulo não ia a lado nenhum. Desiludidos, vão votando aqui e ali temendo sempre pelo futuro;
  • 26 de Abril – é aquela franja da sociedade que não quer saber da política nem dos políticos, que não vota e considera estes pouco fiáveis. Preferem trabalhar horas a fio para ganharem mais uns euros. Não se preocupam com o passado e muito menos com o futuro. Vivem o dia a dia, simplesmente.

Certamente que haverá algumas excepções a estes três modelos. Todavia a maioria pensa assim. E desculpem-me os sociólogos, politólogos e demais especialistas, mas dificilmente este paradigma mudará.

Os cravos vermelhos fazem somente parte da história lusa. Infelizmente não mais que isso!

Viagem rápida

Por motivos agrícolas tive de ir hoje ao Alentejo, mais propriamente ao Crato. Jamais havia estado ou passado por esta vila simpática histórica.

Nem desta vez tive muito tempo... Todavia ficou prometido uma visita para um futuro breve. Tal como ficou na retina Alter do Chão e Avis, outras duas povoações a merecerem visita cuidada e atenta.

Depois aquelas longas planícies repletas de olivais e sobreiros. Dignas de serem apreciadas com tempo.

Não sendo alentejano de nascimento, sempre olhei para esta provincía com uma anormal bonomia e interesse. Talvez porque a terra é ou foi o seu principal, e quantas vezes único, modo de sustento.

Foi uma viagem rápida mas a requerer outras passagens e evidente paragens!

Ainda o sucesso Salvador Sobral

Os jovens têm por vezes alguma dificuldade em lidar com o sucesso inesperado.

Ora desde que escrevi este texto tenho seguido com alguma atenção a passagem de Salvador por alguns programas televisivos e de rádio, quase sempre acompanhado da irmã, sempre através do Youtube.

Ao contrário do que é usual o jovem Sobral, justo vencedor do festival da Canção Portuguesa deste ano, surge quase sempre de forma descontraída e humilde. Para mim é bom sinal...

Não sou músico, nem melómano. Gosto de música que pode ser boa ou má conforme o meu gosto, educação e acima de tudo influências externas. Todavia com a idade que tenho já pouco me preocupa a opinião dos outros sobre o que penso e o que gosto.

No entanto o que mais me surprendeu nos pequenos filmes que fui assistindo, foram os diversos comentários muito críticos quanto à qualidade da canção e do seu interprete. Muitos deles sem sentido e sem razão de ser.

É naturalmente óbvio que eu não entenda esta forma de criticar tão dura, já que sou assaz duvidoso porque gosto muito da canção.

Mas cheira-me que todas aquelas críticas, infelizmente, dão razão à última palavra que Camões escreveu nos Lusíadas.

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