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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Bons exemplos: Raríssimos!

Já escrevi algures por aí que uma demissão não elimina por si só um problema. Será uma das consequências, mas terão provavelmente de haver outras, sejam elas políticas, cíveis ou até, se for caso disso, criminais.

Recordo aqui que em 2001 e não obstante ter-se demitido, Jorge Coelho na altura da queda de Entre-os-Rios deveria ter assumido mais responsabilidades já que, segundo alguns autarcas da região, o Ministro sabia do estado da Ponte e nada fez para evitar o acidente.

Temos hoje um secretário de estado com “rabos-de-palha” associados à Raríssimas e que pede a demissão quase ao mesmo tempo da Presidente daquela entidade de ajuda. E não é pelo senhor Ministro ter mandado fazer averiguações que Vieira da Silva não deverá tirar as óbvias conclusões do seu lugar no Governo. Muito longe disso…

Nem sequer imagino se fosse PPC o primeiro Ministro com um caso destes… Provavelmente já teríamos manifestações e outras formas de luta por parte dos “geringonços”.

A classe política lusa continua demasiada amadora nas suas acções de “bas-fond”, pois esquece-se de que o país é demasiado pequeno para tantos políticos que nunca trabalharam nem imaginam o que isso seja. E claro onde impera outrossim a inveja e a hipocrisia.

Não quero com estas palavras defender uns e atacar outros. Gostaria, ao invés do que se possa pensar, repito gostaria que nunca chegássemos a este ponto quase sem retorno.

Não é bom para a nossa sociedade e muito menos para o país!

Longe da cidade

Desde sexta feira que estou na aldeia rodeada da cor castanha devidos aos incêndios deste Verão. Portanto longe da cidade, das correrias e dos acontecimentos importantes em Portugal.

Mas parece que nada mudou. A geringonça continua a sua campanha, o Rui Rio continua a falar do Agir e Santana Lopes quer ter a "Sorte Grande" sem jogar o bilhete inteiro, joga só com décimos.

E soube isto no bocadinho no café, precisamente antes do jogo de Sporting, desta noite.

Plagiando o outro afirmo: de Lisboa, nada de novo.

Zangam-se as comadres...

... E temos Governo e o Presidente da República quase em rota de colisão.

As últimas notícias vindas a lume referem que Marcelo sabia, antes do seu violento discurso proferido em Oliveira do Hospital, o que AC estava a tencionar fazer em relação a uma eventual remodelação governativa. Ao invés, o PR acusa o Governo de não ter percebido o que se passou na sociedade portuguesa, nomeadamente com as vítimas dos fogos.

Verdadeira troca de galhardetes.

Pegando neste assunto e olhando para ele de forma equidistante e desapaixonada  fico com a estranha sensação que as "comadres" governativas se zangaram profundamente. Assim sendo não imagino quais os próximos passos nesta relação que em tempos foi muito profíqua.

Até à entrada deste Verão ninguém em Portugal imaginaria que esta amizade entre uma esquerda demagógica e trauliteira e um Presidente festivaleiro e omnipresente, acabasse nesta espécie de arrufo. Mas veio o Verão quente, seco e assassino e logo tudo o que era amizade e compromisso se toldou numa tempestade.

O Primeiro Ministro não gostou obviamente da chamada de atenção do Professor Marcelo. Sentiu-se diminuido e quase humilhado. Por isso arranjou maneira de através de um conflito institucional se libertar da imagem de um governante frio e distante do povo que não o elegeu.

Não imagino como irá terminar este sarilho. Todavia o que fica é que as relações entre estas "comadres" esfriaram.

A geringonça teve o seu primeiro grande revés. 

... Falta agora descobrir as verdades de parte a parte.

 

                                                                    

A entrevista de José Sócrates – cinco ideias

A primeira ideia que retiro da entrevista que o antigo Primeiro-Ministro deu, é que este continua a ferver em pouca água. Mostrou-se demasiado impaciente para quem se diz inocente, esquecendo-se que ainda não foi sentenciado nem condenado. Por isso estranho…

A segunda ideia é que as perguntas foram previamente combinadas já que para todos os temas que o jornalista trouxe ao de cima, o entrevistado tinha sempre uma prova visível para contrapor. Até à última pergunta que deixou Sócrates à beira de um ataque de nervos.

A terceira ideia é mais uma questão: porque vem José Sócrates logo à RTP dar uma entrevista, dias depois de se saber a acusação? Parece que há aqui, sub-repticiamente, uma tentativa de se tornar um "coitadinho" aos olhos da opinião pública.

A quarta ideia reside na forma como José Sócrates afirma a sua inocência, atirando para os partidos da Direita parte da culpa destes acontecimentos. Esquece-se que quem está no Governo é o PS e quem ganhou com a sua queda não foi obviamente o PSD.

A quinta ideia vai de encontro a um velho adágio popular: quem não deve não teme. Porém JS irá nos próximos tempos falar muito, mas dizer pouco com alguma substância. Talvez se se resguardasse e deixasse o MP fazer o seu trabalho, provavelmente ganharia muito mais. Política e humanamente!

Uma “zaragata” à espanhola

No universo da BD há uma personagem que personifica o líder da Catalunha, Carles Puigdemont. Aquela figura surge no livro chamado “A Zaragata” onde Astérix e o seu inseparável amigo Obélix terão de lutar não só contra as tropas Romanas, mas também contra a maledicência de Tullius Detritus.

Porque faço eu esta comparação? Simplesmente porque o Presidente da Generalitat Catalâ andou meses a incendiar uma região para no momento da verdade fugir à responsabilidade, deixando todos os outros partidos da região e organizações deveras espantadas com o discurso desta tarde.

Sinceramente nem imagino as pressões de Carles terá sofrido para olvidar ou pelo menos adiar este dossier. Todavia esta situação, que não é de agora, foi muito alimentada pelos partidos não afectos ao governo de Madrid.

No entranto com as declarações de hoje. Puigdmont fez com que a montanha parisse um rato.

Percebe-se que uma eventual independência da Catalunha seria uma espécie de “caixa de Pandora” para o celebérrimo autonomismo castelhano. E alimentaria outras ideias semelhantes tanto em Espanha como noutros países (Portugal incluído).

Teria sido, deste modo, muito mais sensato Carles ter negociado uma maior autonomia com o Governo de Rajoy antes de criar esta “Zaragata”..

Mas há quem faça tudo pelos seus cinco minutos de fama.

O deserto de Passos Coelho

Ainda não percebi muito bem a quem serve a morte política do ainda líder do PSD, Pedro Passos Coelho. Neste momento aquele que foi o Primeiro-Ministro, quiçá, mais contestado na democracia portuguesa, é assim uma espécie de bombo da festa onde toda a gente bate.

São os seus companheiros de partido, jornalistas provavelmente a soldo de algum “inimigo interno”, comentadores e até os seus antigos parceiros de coligação.

Diz o povo que “quando alguém é pobre até os cães lhe mijam nas calças”. Esta máxima popular assenta que nem uma luva ao PPC.

Todavia eu, que fui muito critico à sua actuação como Chefe do Governo e como “não” líder da oposição, venho desta forma defendê-lo, pois estou convicto que se não fosse ele provavelmente Portugal estaria hoje muito pior. Ele fez o que lhe exigiram quando pretendemos dinheiro. É que nisto no negócio de milhões, a necessidade obriga muitas vezes a estranhas e complicadas cedências. Se bem que tenha errado muitas vezes (quem decerto não o faria?), ainda assim reconheço coerência a este político, que em 2014 continuava a preparar um orçamento para 2015 com austeridade, evidenciando que sentia que a sua política para o país seria mais importante que os futuros votos eleitorais. Ganha as eleições mas perde o Governo.

Três anos passados PPC vê agora a porta de saída da liderança do Partido mais que aberta… escancarada!

Mas como tudo na vida serão os acontecimentos futuros a colocar Passos Coelho no lugar correcto e justo da história lusa, por muito que custe aos seus adversários e inimigos.

Entretanto e até lá vai ser uma longa travessia no deserto!

Estará tudo de férias?

- Pssst, senhor Primeiro-Ministro, pssst. Está por aí?

Já vi que não…

- Oi senhor Ministro das Finanças, consegue ouvir-me?

Outro que também não está…

- Olá pessoal da geringonça, está alguém a trabalhar?

Ninguém me responde…

- Senhor Presidente da República?

Ah ok, já percebi! Está naquela festa comemorativa dos 1250 anos da Associação Associativa dos Sócios Associados.

Bom… era só para avisar Vossas Excelências, caso não tenham percebido, que Portugal bateu mais um record de dívida contraída.

Depois não digam que não vos avisei, sim?

Responsabilizar quem?

Hoje lembrei-me de uma rábula humorística onde o saudoso Raul Solnado era figura central. Nessa peça televisiva dos anos setenta, logo a seguir ao 25 de Abril, a personagem que Solnado representava era um desempregado que se manifestava com muitos outros na rua e com as costumadas palavras de ordem da época: "Trabalho sim Desemprego não". Um suposto empregador chegava perto de manifestante e oferecia-lhe trabalho. Ao que o outro respondia: "Mas porquê a mim está aqui tanta gente".

Esta entrada leva-me para aquilo que tem sido a filosofia deste país nos últimos 40 anos: uma profunda falta de vontade de trabalhar, ao que se junta uma total fuga para a frente quando os problemas surgem, associada à incapacidade de cada um assumir os seus próprios erros, aludindo sempre ao passado mais ou menos recente para justificar o futuro. Maioritariamente vê-se esta atitude na classe política, toda ele muito preocupada com os terríveis acontecimentos, mas incapaz de fazer ou mandar fazer algo que seja realmente eficaz.

O País continua assim a arder. Hoje acaba aqui para logo começar ali. Extingue-se acolá, reacende-se além.

Os bombeiros andam numa roda viva. Depois, parece que não há uma voz de comando, para além do SIRESP que continua a (não) fazer das suas.

Em 2003 Mação foi vítima dos fogos. Nessa altura falou-se, como hoje se fala, em reordenar a floresta e mais uma série de iniciativas. Resultado 14 anos depois? Novo incêndio com porporções gigantecas.

Em 2005, a aldeia que não me viu nascer mas crescer, foi também vítima de um incêndio de enormes proporções. Uma dúzia de anos passados ainda são visiveís os cadáveres de árvores queimadas, já que ninguém do Parque Natural que envolve a povoação, se preocupou em cortar e limpar.

No meio deste enorme parque de características muitos especiais, o meu pai tem alguns nacos de terra. Que nessa altura do incêndio ficou com tudo queimado. Especialmente oliveiras, azinheiras, medronheiros e pinheiros. O meu pai é neste momento um homem com muita idade, o que originou que algumas dessas fazendas abraçadas pelo fogo fossem mais ou menos despresadas.

No entanto, recentemente tenho sido eu a avançar com trabalho e dinheiro para cortar o mato que cresceu a seguir ao fogo. Neste sentido apresentei um projecto ao PRD2020 de forma a captar alguma ajuda financeira. Ora quem ouviu falar os Ministros da Agricultura ficou a ideia de que agora é que haveria dinheiro para limpar matas e os terrenos semi abandonados. Profundo engano...

Como sempre a demagogia barata venceu e o meu projecto não vai ser elegível. Isto é, já gastei o dinheiro mas não vou ser ressarcido desse gasto.

Entretanto os terrenos à volta do que é meu estão, neste momento, repletos de mato, pois os seus legítimos proprietários não podem ou não querem gastar dinheiro qu eu gastei em algo que nunca será rentável.

Mais uma vez o Estado diz uma coisa todavia a realidade é bem diferente. Cortar mato, recolhe-lo, queimá-lo e depois manter o terreno livre de mais mato custa muuuuuuuuuuito dinheiro. Para dar um mero exemplo, só para o herbicida já gastei mais de 1000 euros. E ainda não está tudo. Falta pagar ainda a mão-de-obra.

Tenho que não caberá ao Estado fazer tudo... mas pelo menos não mintam. Não prometam o que sabem que nunca irão cumprir.

Certa vez ouvi um comentador televisivo dizer: um político que diga somente a verdade nunca ganhará eleições.

Novidades, novidades... só amanhã!

À falta de mais demissões governamentais e militares, à ausência de culpados nos fogos de Pedrogão Grande e Castanheira de Pêra, nada melhor para a impressa que… falar do passado.

Este passado remonta a 2016, há um ano precisamente. O dia em que Portugal passou a ser um país com direito a “tempo de antena” nas televisões de todo o mundo, porque um jovem guineense conseguiu a proeza de marcar um golo contra a poderosíssima França na final no Euro2016. E com este remate Portugal conquistou um troféu que lhe fugiu naquela célebre final com a Grécia, em Lisboa, já lá vão uma dúzia de anos.

Desta vez calhou à equipa gaulesa perceber que os jogos só se ganham depois do árbitro apitar para o final do jogo e não por antecipação.

Mas hoje toda a gente recorda aquele Domingo e os dias frenéticos que se seguiram. Como se este país hoje não tivesse mais nada com que se preocupar.

Reconheço que aquele jogo marcou, e de que maneira, a sociedade lusa. Porém o que veio depois não pode nem deve ser esquecido, sob pena de voltarmos a ser novamente um país sem credibilidade. Os acidentes acontecem… aqui e em qualquer lugar do Mundo. Ninguém está imune.

No entanto, convém lembrar que os erros do passado não podem nem devem repetir-se. Não é só de profilaxia que necessitamos. Há a urgente necessidade de assumpção de culpas por parte de alguém. De livre vontade ou impostas. Não se pode empurrar constantemente os problemas e as culpas com a barriga.

Num casamento dito normal os cônjuges casam também com a família do outro. Isto é, os problemas do outro lado são outrossim nossos.

De mesma maneira que os governos não podem nem devem desculpar-se com atitudes de anteriores governações. Quando assumem a governação carregam sempre essa herança. Acontece a todos.

Por isso, será bom que o Governo passa a governar, a assumir as suas responsabilidades em vez de assobiar para o lado ou a ir de férias.

O Inferno existe!

Agora, muitas horas depois dos trágicos acontecimentos em Pedrogão Grande, consigo finalmente escrever algo mais sobre estes incêndios no centro do País.

Por aquilo que tenho assistido nas televisões, que hoje me obriguei a ver, pelos depoimentos das vítimas, pelas declarações de bombeiros, descobri que o Inferno existe e está (ainda) presente naquela zona de Portugal.

Este incêndio, ao que escutei, começou de forma natural, se uma trovoada seca for só por si algo natural! Depois foi o que se sabe e o número de vítimas, infelizmente, não pára de subir.

Muito se falará nos próximos dias sobre o que aconteceu, sobre o que poderia ser evitado, sobre o tipo de floresta que Portugal tem, sobre tanta coisa… mas daqui a um mês já ninguém quer saber. É (quase) sempre assim.

Restarão os que sobreviveram para contar estas tristes memórias, sem bens, sem meios, sem animais, sem forma de subsistirem. Mesmo com as campanhas solidárias, que já começaram a surgir, dificilmente a maioria das vítimas, que sairão desta tragédia, conseguirá refazer a sua vida.

O drama dos incêndios em Portugal continua, todos os anos, a fazer vítimas. Este ano prima pelo número infeliz de vidas humanas que foram atingidas de uma só vez. Não tarda nada que os governantes deste Portugal, venham publicamente dizer que vão disponibilizar verbas para ajudar os agricultores no tratamento dos terrenos altamente combustíveis devido à floresta lá naturalmente implantada. Como sempre fazem nestas alturas!

Mas digo eu, daqui deste espaço que ninguém vai ler, que se o afirmarem será profunda demagogia. E mentirão com quantos dentes têm na boca.

Portanto meninos da “geringonça” ficarei atentamente à espera das futuras declarações! Porque o Inferno existe mesmo!

Perguntem aos desgraçados em Pedrogão Grande!

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