Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

O meu epílogo!

Daqui a muuuuuuuuuuuuitos anos, quando Portugal for um imenso deserto e alguém observar fotografias e filmes dos últimos acontecimentos, perguntará:

- Como deixaram que isto acontecesse?

As verdadeiras respostas, todavia, nunca serão totalmente dadas.

Provavelmente escrever-se-ão inúmeros tratados filosóficos elevando, com toda a justiça, o bombeiro Gonçalo a herói, por ter tentado ingloriamente salvar as pessoas à custa da sua própria vida. Publicar-se-ão extensos relatórios desenvolvendo excelentes teorias de como tudo poderia ter sido evitado. DIscurtir-se-ão, em sede universitária, longuíssimas teses de mestrado sobre o invulgar fenómeno "downburst" que tudo derreteu.

Mas ninguém se irá lembrar deste fim de semana. Como já se esqueceu Alcafache ou a ponte de Entre-os-Rios.

Porque a mente humana serve unicamente para equecer!

 

Nota do autor: não pretendo escrever mais sobre este triste assunto. Dói-me demais.

A gente lê-se por aí!

Ontem e hoje

Ontem continuei a obrigar-me a ver os noticiários. Acima de tudo para perceber como estavam a correr as coisas e como a sociedade política ia reagindo aos nefastos acontecimentos.

A determinada altura dei por mim a escutar esta fantástica frase de um comentador televisivo:

"O Estado deverá expropiar as terras que não são limpas pelos donos".

Ora bom... isto dito assim, num horário nobre, até pode fazer com que muita gente concorde e ache bem. Todavia, e conhecendo eu como conheço o panorama luso no que diz respeito aos Sapadores, só me apeteceu sová-lo selvaticamente. Fi-lo ainda assim mentalmente...

Há uns anos, não muitos, contratei na aldeia uma equipa de cinco Sapadores para limparem uma pequena mata. Combinados os preços da mão de obra e os dias de trabalho eis que surge um pedido estranho. Um deles solicitou que lhe adiantássemos algum dinheiro pois havia alguns meses que não recebiam o seu vencimento e já deviam muito dinheiro no posto da gasolina mais próximo.

Nessa altura peguei em mil euros e entreguei-lhes de forma a que pudessem fazer o dito trabalho. No final acertámos as contas.

Entretanto hoje li, nalgumas plataformas, que no Minho mais equipas de Sapadores não saíram por não terem viatura por estar avariada e não haver dinheiro para a reparar. Mais... alguns também ainda não haviam recebido o vencimento de alguns meses.

Perante estes factos como pode vir alguém para a televisão dizer que o Estado fará melhor trabalho que os particulares? Se nem para o mínimo há dinheiro... Ou será que sou só eu que estou a ver mal?

Seria bom que os comentadores antes de dizerem disparates se munissem de toda a informação possível. Só depois é que deviam falar.

Somos donos dos nossos silêncios e reféns das nossas palavras. Será bom nunca esquecer!

História dos nossos incêndios

O título sugere que fale aqui de outros grandiosos fogos que deflagraram em Portugal nos últimos anos, porém não é esse o intuito deste texto.

Deste modo recuemos meio século nas nossas vidas. Olhemos para o país dessa altura como se tivéssemos num aparelho como aqueles que agora invadem os nossos ares: um drone.

O que veríamos? Muita pouca floresta, imensos campos cultivados fossem de semeadura ou simplesmente de pastoreio. O povo acordava cedo e cedo pegava na enxada, gadanha ou foice e calcorreava caminhos para cortar a erva, ceifar as searas, mondar as batatas ou o milho. Lembro-me, a título de mero exemplo, do meu falecido avô ter cavado uma fazenda alcatifada de pedras, numa dúzia de dias, para aí depois lançar semente à terra. Sem dúvida outros tempos!

Mas um dia Portugal achou que era tempo de se modernizar. Dos portugueses serem todos iguais, vivessem na cidade ou no campo. De terem mais direitos.

E o país cresceu, desenvolveu-se e em muitas aldeias onde a água, só existia a do poço retirada à força de braços e a luz, a que a lamparina de azeite oferecia, passou a haver luz no tecto e água nos canos. O lume da lareira que cozia as couves e as batatas em viúvas panelas de ferro, foi naturalmente substituído pelo gás de bilha.

Foi a loucura da evolução. Só que…

As pequenas matas onde se recolhia a lenha para a tal lareira deixaram de ser limpas. Depois o velho forno onde era cozido o pão ou a broa, de quinze em quinze dias, deixou de trabalhar porque alguém passava com a carrinha com pão quente todas as manhãs, acordando muito cedo a aldeia. Ora deixou então de ser necessário semear trigo, milho ou o centeio.

Em pouco tempo as matas cresceram exponencialmente. A título de exemplo uma fazenda onde hoje (ainda) existe um pinhal, foi durante muitos anos terra de semeadura e deu centenas de alqueires de milho e trigo, durante dezenas de anos.

O povo aldeão, essencialmente o mais novo, começou então a procurar nas vilas e nas cidades mais costeiras novas formas de rendimento. E diziam quando de lá vinham: em Lisboa é que é vida.

Iniciou-se assim o abandono das terras. Os pais ficavam, mas os filhos partiam. A idade, as doenças e aquela pensão que nunca imaginaram receber obstaram entretanto a que os terrenos continuassem a ser amanhados. Não havia necessidade.

E a floresta a crescer. Desordenadamente!

A terra já não dá milho nem trigo mas dá madeira. E muita e bem paga… e sem trabalho. Nascem assim os eucaliptais e os pinhais bravios. Estes alastram-se desmesuradamente. Até aos dias de hoje.

O mesmo drone que planou no nosso passado, referido acima, deixou agora de ver campos semeados, verdes ou doirados, somente enormes manchas de arvoredo que paulatinamente se estão a transformar em manchas de carvão.

Portugal soltou-se de ser um país essencialmente agrícola, como o fora durante séculos, para se tornar um paraíso em prestação de Serviços. Esplêndido… observaram muitos!

Estamos a pagar por isso.

Pela forma como a nossa classe política nunca olhou para este problema com olhos de ver. E sempre empurrou com a barriga o problema.

Pela forma como tantos técnicos especializados afirmam o que está errado e ninguém os ouve.

Pela forma como o factor climatérico evoluíu negativamente sobre as nossas terras.

O custo de tudo isto começou o país a pagá-lo faz muito tempo, mas este ano o preço, infelizmente, está pela hora da morte.

Obviamente de gente inocente!

O Inferno existe!

Agora, muitas horas depois dos trágicos acontecimentos em Pedrogão Grande, consigo finalmente escrever algo mais sobre estes incêndios no centro do País.

Por aquilo que tenho assistido nas televisões, que hoje me obriguei a ver, pelos depoimentos das vítimas, pelas declarações de bombeiros, descobri que o Inferno existe e está (ainda) presente naquela zona de Portugal.

Este incêndio, ao que escutei, começou de forma natural, se uma trovoada seca for só por si algo natural! Depois foi o que se sabe e o número de vítimas, infelizmente, não pára de subir.

Muito se falará nos próximos dias sobre o que aconteceu, sobre o que poderia ser evitado, sobre o tipo de floresta que Portugal tem, sobre tanta coisa… mas daqui a um mês já ninguém quer saber. É (quase) sempre assim.

Restarão os que sobreviveram para contar estas tristes memórias, sem bens, sem meios, sem animais, sem forma de subsistirem. Mesmo com as campanhas solidárias, que já começaram a surgir, dificilmente a maioria das vítimas, que sairão desta tragédia, conseguirá refazer a sua vida.

O drama dos incêndios em Portugal continua, todos os anos, a fazer vítimas. Este ano prima pelo número infeliz de vidas humanas que foram atingidas de uma só vez. Não tarda nada que os governantes deste Portugal, venham publicamente dizer que vão disponibilizar verbas para ajudar os agricultores no tratamento dos terrenos altamente combustíveis devido à floresta lá naturalmente implantada. Como sempre fazem nestas alturas!

Mas digo eu, daqui deste espaço que ninguém vai ler, que se o afirmarem será profunda demagogia. E mentirão com quantos dentes têm na boca.

Portanto meninos da “geringonça” ficarei atentamente à espera das futuras declarações! Porque o Inferno existe mesmo!

Perguntem aos desgraçados em Pedrogão Grande!

Nem sei que dizer...

...Nem o que escrever!

Neste momento nada vale o que qualquer um de nós, longe do inferno Dantesco que se viveu e ainda vida em Pedrogão Grande, possa eventualmente pensar ou sentir.

Mais uma vez o pinhal como combustível com a mãe Natureza a ser a incendiária.

Estou profundamente triste.

Uma pessoa luta a vida inteira para ter algo e num segundo tudo perde... Até a própria vida!

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D