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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Um país a arder - parte 2

É notícia permanente em todas as estações de tv e rádio: o país está a arder!

Pior que os fogos e as vítimas que ele acaba por fazer é esta incapacidade de lutarmos contra este flagelo, que todos os anos ensombra o Verâo lusitano.

Ele é o Primeiro Ministro e o Presidente da Républica, os Presidentes de Câmara das regiões vitimadas e os Comandantes das corporações, todos falam e acham que têm razão.

Mas o fogo seja ele colocado por mãos criminosas ou oriundo de razões naturais não entende nada de leis e nem se preocupa de quem são as coisas e de quem tem ou não razão. Queima e pronto!

Não há soluções perfeitas para estes casos, mas devia de haver vontade de os resolver. Duma vez por todas...

 

Já fiz esta pergunta algures: a quem serve estes incêndios?

 

Saibam responder e talvez saibam encontrar a solução.

 

O texto acima foi escrito por mim faz hoje precisamente 7 anos. Como podem comprovar aqui.

Conseguem perceber alguma diferença entre esse ano e o de 2017?

A dor de quem tem!

Muitas dos cidadãos que vivem nas grandes cidades e já sem qualquer ligação ao interior, olham para estes fogos com muita pena, para logo a seguir esquecerem o que acabaram de ver e se preocuparem com o novo reforço do Alguidares de Baixo. Ou então como será que a Xica vai contar ao pai que é um homem na nova telenovela "Bruto com'as portas"?

Estes parecem ser os verdadeiros problemas dos citadinos. Tudo o resto são desgraças e como tal "não posso ver porque sou muito sensível..."

Só que para além destes há quem sinta, como se fosse na sua pele, estas catástrofes que vão incendiando o nosso quotidiano.

Todas as manhãs, assim que me levanto, vou tentar saber como está a situação dos incêndios. Infelizmente as notícias não são na sua maioria muito boas.

Esta minha preocupação prende-se obviamente com a minha íntima relação com o campo. Se bem que tenha nascido em Lisboa desde sempre me relacionei com a aldeia de uma forma muito directa. Por exemplo ali comecei a trabalhar à jorna, no Verão, de sol a sol e a ganhar cem escudos por dia.

Esta minha ligação ao mundo rural fez de mim um homem diferente e conhecedor da dureza do campo. Fui assim talhado nesse espírito que moldou tanto lavrador luso.

Talvez por isso olhe para o que tenho, que é muito pouco, e sinta uma certa alegria de penetrar naquilo que é meu. Deste modo desde o final do ano passado investi muito dinheiro e tempo no amanho das terras, até agora improdutivas. De tal forma que me empenhei financeiramente para o fazer.

Durante fins-de-semana quase seguidos corri para a aldeia de forma a poder limpar o que havia sido cortado, antes que viesse o Estio. Fiz algumas coisas, mas não todas. O tempo escasseou!

Todo este discurso para dizer o quê? Simplesmente para afirmar com profunda tristeza, que me dói o coração ao ver tanta e tanta gente ficar sem os seus pertences, por causa do fogo. Vidas destruídas em minutos que levaram dezenas de anos a erguer...

Todos os dias leio as declarações dos políticos, sejam eles de esquerda ou de direita,  e oiço muita gente a afirmar que é necessário reformar a floresta.

Eu avanço com outra ideia: reformem estes políticos. Envie-mo-los para as frentes de incêndio para saberem o que é combater um fogo. Punham-mo-los com uma enxada na mão a cavar o chão para que o fogo não alastre. E acima de tudo responsabilize-mo-los politica e civilmente por não fazerem com competência o trabalho para que foram democraticamente eleitos.

Até esse dia, que acredito que aconteça, vamos assistindo à amargura dos que ficam sem nada.

Grande incêndio em Londres.

Outra vez?

Já em 1666 grande parte da capital inglesa foi destruída, após um incêndio ter iniciado numa velha padaria.

Anos mais tarde erguer-se-ia uma coluna com 61 metros de altura - The Monument - que é igual ao número de metros do local onde teve início o incêndio, para relembrar esses sinistros três dias de Setembro e a reconstrução da cidade.

Agora foi num segundo piso e alastrou rapidamente ao restante edifício. Nos tempos que correm parece-me coisa realmente muuuuuuito estranha...

Após terem incendiado a Europa com o Brexit foi a vez de um prédio na cidade Londrina.

Imparáveis.

 

 

Em Abril, fogos mil

Pergunto aos habituais amantes de sol e calor se gostam de ouvir as notícias recentes sobre fogos e que este ano despoletaram muito mais cedo do que é habitual? Foi-se a chuva, chegaram os incêndios... Fatal!

Imagino que pensarão ou dirão que uma coisa não tem a ver com outra. Mas tem...

Independentemente do que cada um possa pensar a verdade é que o flagelo dos incêndios teve já início e já andam centenas de bombeiros a tentar apagar o fogo.

Mais uma vez voltamos ao velho poblema... Qual a razão disto acontecer? Como se pode evitar?.

Bom este ano tenho uma perspectiva um tanto diferente, pois sem querer podia ter deitado fogo a uma fazenda do meu pai somente por descuido. É esta postura muitas vezes impensada e irresponsável que origina os grandes incêndios. Duma coisafiquei com a certeza: o fogo não é domável. Num minuto parece ser uma chama mui pequena para no segundo seguinte se tornar uma labareda que lambe e destrói tudo à sua volta.

As chuvas de Abril tardam. Tardam e fazem muita falta. Ao invés os fogos proliferam!

Ainda sobre os incêndios!

 

Muitas são as causas para os incêndios que têm invadido Portugal. Desertificação, deficiente manutenção das matas, raros aceiros, lixo altamente combustível e acima de tudo malvadez.

Não consigo perceber como alguém pode ficar feliz ao ver uma árvore a arder, só porque sim. Ou uma casa, ou uma vinha…

Fala-se que a maioria tem problemas mentais. Mas curiosamente nunca lhes dá para fazer o bem, somente o mal! Sendo tontinhos ao reincidirem mais acumula a tonteira. Ora com estes pergaminhos qualquer razoável advogado safará um pirómano de ir para a prisão, colocando-o num hospício. Algo que sinceramente não concordo…

Muitos deles sabem muito bem o que estão a fazer e quais as consequências dos seus actos mas não temem a justiça porque têm real consciência que esta é branda ou ineficaz.

Assinei hoje uma petição para pedir 25 anos de cadeia para os incendiários. Sinceramente acho que é pouco, muito pouco mesmo!

Quem aceita queimar a natureza, tomar erradamente nas suas mãos as vidas de tantos não tem direito a uma moldura penal deste calibre. Porque doutro modo não é justiça mas unicamente a aplicação de um Código Penal.

Dos fogos, da justiça e da geringonça!

Se há algo para o qual não devia haver contemplação na justiça é para os incendiários. Estão ao mesmíssimo nível dos violadores: uns violam a seu prazer a Natureza, os outros violam a dignidade humana.

Um destes dias li algures que a Judiciária havia detido um tipo acusado de deitar fogo na zona de Barcelos. Todavia o tal individuo já tinha antecedentes criminais na área da piromania. O que equivale dizer que deixá-lo à solta foi colocarem-se a jeito para a coisa.

Em Castanheira de Pêra mais um incendiário apanhado.

Ao que parece a PJ já deteve este Verão mais de 20 pessoas acusadas de incendiar fogos. A questão impõe-se: o que será feito deles daqui a uns meses?

Certo é que os incêndios são um flagelo enorme que todos os anos, invariavelmente, ataca o país.

Jamais percebi quem ganha com este negócio dos incêndios. Oiço no entanto diversas teorias da conspiração sobre este assunto mas a maioria nem quero acreditar. Seja como for o país adormece e acorda debaixo da mesma notícia: Portugal está literalmente em chamas!

O governo e a tal de geringonça que tanto criticaram governos anteriores (e com razão) pela ineficácia do combate às chamas, estão agora reféns das suas palavras e opiniões que emitiram noutros tempos. E sem resultados evidentes…

Assim sendo, este flagelo não é culpa deste ou daquele governo, nem deste ou daquele partido. Unicamente da forma como Portugal resolve os seus problemas… Empurrando-os para a frente com a barriga!

Como sempre, aliás!

Um fogo de ideias

 

Ultimamente tenho lido demasiados textos, ouvido demasiadas declarações, assistido a infindáveis reportagens sobre os incêndios, as mortes de bombeiros e todas as desgraças inerentes aos fogos florestais que têm assolado o país.

 

As razões para tamanha calamidade são sempre as mesmas: matas mal limpas, aceiros deficientes, florestas demasiado próximas das povoações, descoordenação dos bombeiros, eu sei lá que mais.

 

Invariavelmente um dos alvos das acusações são os donos das matas e dos pinhais, que os mantêm na maioria dos casos sem limpeza e sem o trato devido.

 

No entanto é tempo de se olhar para este “velhíssimo” problema e que todos os anos aflige o país, através de uma visão profundamente séria e o mais próximo da realidade.

 

Senão vejamos:

 

1 - A evolução tecnológica e social de Portugal desde o 25 de Abril deixou que a constante procura nas aldeias de lenha para as lareiras e fornos deixasse de existir. Assim passou a ficar na terra todo o tipo de ramagem e caruma, altamente combustível.

 

2 - As matas passaram a ser locais preferidos por muita população para deixar os resíduos inorgânicos. É frequente observar nos pinhais por detrás dalgumas giestas, pequenos montes com electrodomésticos, mobílias velhas e até cadáveres de animais.

 

3 – Até há alguns anos era extraída dos nossos pinheiros a resina, hoje totalmente em desuso. Assim aquelas árvores tornaram-se perfeitas tochas incendiárias.

 

4 - Coloco por fim a todos os comentadores e acusadores de proprietários de pinhais as seguintes questões: imaginam quanto custa um homem por dia a limpar como deve ser uma mata? Sabem quanto custa à hora, uma retroescavadora para fazer os aceiros?

 

Reconheço que serão demasiadas observações para muito poucas ou nenhuma soluções. Mas antes de acusarem um idoso que tem meia dúzia de hectares de pinhal sem ser tratada e 200 euros de reforma por mês, é imperioso entender o verdadeiro problema. E saber como combatê-lo.

 

Ao fogo ataca-se com água.

 

Quanto a este já não sei!

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