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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Reviver o passado

Um destes dias ao mixordar nuns papéis antigos encontrei o meu primeiro contracto de trabalho.

Numa folha azul encontram-se 5 cláusulas devidamente dactilografadas, em que ambas as entidades se comprometiam a uma série de regras.

Desde esse ano até hoje já passaram perto de 40 anos. Entretanto mudei de emprego e neste de Departamentos, para estar agora quase na porta de saída.

Lembro-me, ainda assim do primeiro dia. Era Novembro e pairava naquele 3º andar, de um prédio velho na Avenida da Liberdade, um cheiro entre o bafio dos papéis e a aragem da minha alegria.

Por lá andei alguns anos subjugado a um contracto a prazo. O primeiro ordenado correspondeu a 9.800 escudos ou em valores actuais a 48.88 euros. Acrescia um subsídio de almoço de 1320 escudos ou 6.58 euros.

Numa altura em que se fala tanto de precaridade no emprego, olvidarão que esta já existe há demasiados anos.

Curiosamente numa altura em que a esquerda lusa estava ainda no auge. E o governo era chefiado por uma mulher que mais tarde se ligaria a uma esquerda mais radical.

Outros tempos, outras vontades!

C_Trabalho_0 (1).jpg C_Trabalho_1.jpg

 

 

Grande incêndio em Londres.

Outra vez?

Já em 1666 grande parte da capital inglesa foi destruída, após um incêndio ter iniciado numa velha padaria.

Anos mais tarde erguer-se-ia uma coluna com 61 metros de altura - The Monument - que é igual ao número de metros do local onde teve início o incêndio, para relembrar esses sinistros três dias de Setembro e a reconstrução da cidade.

Agora foi num segundo piso e alastrou rapidamente ao restante edifício. Nos tempos que correm parece-me coisa realmente muuuuuuito estranha...

Após terem incendiado a Europa com o Brexit foi a vez de um prédio na cidade Londrina.

Imparáveis.

 

 

E se não tivesse havido o 25 de Novembro!

Fazer palpites sobre algo que não aconteceu é jogar sem risco. Tudo o que possa aqui dizer (leia-se escrever) vale tanto como uma nota de três dólares. Mas ainda assim serve de exercício. Fictício é certo mas imaginemos somente.

Com a movimentação daquele dia 25 de Novembro de 1975, o PS liderado por um tal de Mário Soares e um General de nome António Ramalho Eanes, evitou que Portugal se tornasse uma outra Albania.

O PCP e alguns militares mais radicais e afectos ao partido liderado na altura por Álvaro Cunhal não conseguiram, em devido tempo, segurar as forças menos "progressistas" e foram definitivamente apeados do poder.

Tudo se passou sem sangue, como é apanágio de um país de brandos costumes. Mas isto é unicamente história passada! Passemos então à ficção...

Que seria então de Portugal sem o 25 de Novembro? Estaríamos mais ricos ou mais pobres? A liberdade seria uma realidade? Viveríamos em democracia? E por fim a questão fundamental: estaríamos nós integrados na União Europeia?

Por aquilo que fomos aprendendo nestes últimos quarenta anos de democracia muitas destas questões nem fariam sentido pois acredito que a esquerda não deixaria que Portugal fizesse parte desse grupo de países "ricos".

Posto isto, esta data deve ser recordada como um marco da democracia pluralista e parlamentar. A mesma que, mal ou bem, tem governado este país.

E se...

... Napoleão tivesse ganho a batalha de Waterloo?

Faz hoje precisamente 200 anos que Napoleão Bonaparte foi derrotado pelas tropas inglesas, comandados pelo Duque de Wellington (o mesmo que ajudou Portugal nas célebres Invasões Francesas). Uma batalha muito dura e com milhares de mortos (cerca de cinquenta mil) entre franceses, ingleses, prrussianos e alguns holandeses.

No actual e gravíssimo contexto europeu a minha pergunta inicial faz cada vez mais sentido!

Que seria desta Europa se Napoleão Bonaparte tivesse derrotado os ingleses? Onde estaríamos? Que país e povo seríamos nós neste momento?

Perguntas sem respostas mas que me deixam a pensar!

 

Ainda sobre a morte de Eusébio!

Já muito se falou e escreveu sobre o triste falecimento de Eusébio da Silva Ferreira. Graças a Deus que a maioria do que se ouviu e leu, foram rasgados e merecidos elogios ao Pantera Negra.

 

Só que, como diz o povo no melhor pano cai a nódoa, e assim apareceram algumas figuras que, perante este fenómeno de popularidade que atravessou quase toda a sociedade portuguesa, saíram a terreiro com declarações que demonstram, no mínimo, uma pobreza de espírito e quiçá alguma tacanhez.

 

Começo pelas declarações do antigo Presidente Doutor Mário Soares. Aceito que haja alguém que não goste de futebol em particular ou até mesmo do desporto em geral. Porém e perante a morte de uma figura tão carismática como Eusébio o melhor seria… silenciar-se. Ficou mal nesta fotografia e dificilmente alguém esquecerá estas suas declarações. No mínimo lamentáveis para alguém que foi uma das personagens do século passado.

 

Mas infelizmente não está sozinho. No dia 6 o Doutor Marinho Pinto, ilustre e mediático advogado, criticava a forma como tinham decorrido as exéquias do maior futebolista português. E pior… com a agravante de se considerar benfiquista. Também aqui entendo a idiotice deste homem, que foi durante anos Bastonário da Ordem dos Advogados, ao perceber como pode o povo orgulhar-se de um mero futebolista.

 

Finalmente e obviamente menos desculpável são as palavras da Doutora Assunção Esteves, ilustre Presidente da Assembleia da República. As suas declarações e desculpas um tanto atabalhoadas sobre a eventual ida do féretro de Eusébio para o Panteão, podiam ter sido obviamente evitadas.

 

Há assuntos sobre os quais alguns ilustres personagens não deviam opinar, pois arriscam-se a cair facilmente no ridículo.

 

A morte de Eusébio, lançou este antigo campeão para o rol das personagens portuguesas com direito a ficar eternamente na nossa história. E há, neste país, quem ainda não consiga entender isso!

 

 

O primeiro de 2014

Este é o meu primeiro texto de 2014 que aqui escreveo. E não podia ter motivo pior que o de hoje, pois Portugal acordou com o choque da triste notícia da morte de Eusébio.

 

Já quase tudo se disse sobre este homem que foi um exemplo de futebolista para os da sua geração e não só...

 

Todavia para mim Eusébio terá o seu lugar na história de Portugal, como teve Vasco da Gama, Camões, Marquês de Pombal ou mais recentemente Amália Rodrigues.

 

Porque é de gente assim que também se faz um país!

 

Descance em Paz!

 

 

 

O senhor História de Portugal

 

A morte do Professor José Hermano Saraiva traz-me alguma nostalgia e muita tristeza.

 

Lembro-me dele a primeira vez num tal programa de televisão chamado “O Tempo e a Alma”. Antigo ministro da Educação de Salazar, acabou por não resistir à crise Académica de 1969 e pouco tempo depois, trocava a governação por uma carreira diplomática no Brasil.

 

Irmão do Professor António José Saraiva, também já falecido e tio do jornalista José António Saraiva, este professor habituou-nos a ver Portugal de uma forma muito diferente.

 

Horizontes da Memória e O Tempo e a Gente foram programas que a RTP apresentou durante anos e que colheram muitas audiências. Aqui o Professor José Hermano Saraiva falava de vilas, aldeias e povoados como se de grandes cidades se tratassem. E a história de cada lugar, de cada momento.

 

Creio que faleceu um dos grandes homens de Portugal. Exemplo de dedicação a um país carregado de história e histórias que só ele nos sabia contar.

 

Até sempre Professor!

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