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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Os saudosistas

Há na sociedade lusa quem vista ainda o fato que usou naquele Verão quente, em 1975. Todavia como não consegue libertar-se dele vagueia pela sociedade em busca de quem o oiça e siga.

Só que Portugal evoluiu e hoje a sociedade, mesmo sendo mais aberta, quiçá mais esclarecida, reconhece naturalmente onde começa e acaba o respeito por opiniões que não são coincidentes com as nossas.

Ora o caso do adiamento de uma conferência, numa das mais prestigiadas universidades do País, onde Jaime Nogueira Pinto seria orador, parece ser um exemplo de quem é intolerante e tem ainda alguns resquícios de uma derrota política mal resolvida.

Sinceramente não me interessa quem promoveu o encontro, preocupa-me quem pretendeu evitá-lo.

Uma coisa é certa: a democracia não exclui nenhum português da sociedade só porque pensa de maneira diferente. Mas há por aí quem não assuma esse pensamento, mas se julge melhor que todos os outros lusos cidadãos só porque se consideram iluminados e esclarecidos.

Vejo-os muitas vezes presos a valores que cairam há muito em desuso. Valores dos quais não abdicam... nem que seja por mera teimosia.

 

Pós 25 de Abril

João Miguel Tavares na sua coluna do Jornal Público de hoje chama a atenção para a noção de democracia de alguns dos nossos ditos... democratas!

Não assinando por baixo todo o texto do jornalista, bloguer, escritor e "ministro sombra"... subscrevo no entanto na sua essência, pois não concordei com aquele discurso quase patético de Vasco Lourenço à saída da AR ao dizer que os governantes anteriores eram anti-25 de Abril.

Então que dizer das declarações há anos proferidas por Otelo Saraiva de Carvalho quando afirmou que Portugal necessitava de um homem sério como Salazar?

Há uma esquerda em Portugal demasiadamente colada aos dogmas e às ideias de há 42 anos, olvidando que o mundo mudou, e de que por exemplo os desejos da actual juventude são profundamente diferentes do que foram naquela época.

Foi a democracia que nasceu no tal 25 de Abril que colocou os "tais" políticos no poder. E se eles lá estavam é porque ninguém da oposição conseguiu em tempo útil provar que poderiam fazer melhor.

Como disse uma vez Winston Churchill: A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.

Mas há ainda quem acredite que a democracia é uma forma de governo em que todos pensam da mesma forma!

Ainda a tomada de posse de Marcelo!

Nas eleições de Outubro passado, mais conhecido por Outubro vermelho na opinião de alguns, originou uma convergência mais à esquerda dos eleitores portugueses.

Nos dias seguintes aos resultados das eleições começou a falar-se de tal maioria de esquerda no Parlamento para formar um governo. Os partidos políticos, supostamente envolvidos nesta nova definição, assumiram com alegria o paradigma político chegando ao ponto de dizer que o povo português se tornara um povo inteligente e sem receios da “tal” Europa.

Diz o mesmo povo que “o peixe morre pela boca” e bastou ver o que aconteceu na passada quarta-feira na AR para confirmar o adágio popular. Marcelo foi por diversas vezes interrompido para as palmas, mas raramente os partidos de uma esquerda radical e pouco democrática ousaram aplaudir o novo PR.

Esta atitude tem sido muito criticada por alguma sociedade mais conservadora e institucional. Mas pensando bem e sem querer julgar, reconheço alguma razão aos “ofendidos”. Porque se fosse Sampaio da Nóvoa, Marisa ou Edgar a ganhar as eleições certamente que a Direita se levantaria e aplaudiria o novo Presidente.

Mas pior… a inteligência que dera a “tal” maioria de esquerda que governa este país foi rapidamente substituída por um antónimo.

Porque a esquerda portuguesa só sabe ganhar e não sabe perder. Algo que não é compaginável com a democracia!

Amanhã há mais...

Sinceramente não percebo este dia pomposamente denominado de "reflexão". Quem por cá vive há tantos anos como eu (ou mais) não necessita de reflectir em quem vai votar. Já o sabe há muito...

"Mas e os indecisos?" - perguntar-me-ão.

Quanto a estes reservo a mesmíssima opinião. Se tinham dúvidas ontem, têm dúvidas hoje ou amanhã. E este dia não resolve absolutamente nada.

Por isso sinto que não vale a pena impedir o povo de falar sobre os candidatos ou as suas escolhas. Parece-me algo despiciente e a democracia não ganha rigorosamente nada com isso.

Todos os candidatos que se apresentaram na linha de partida para esta espécie de corrida a Belém, tinham a perfeita consciência da prova que iriam realizar. E das limitações (ou não!) que carregavam em cima dos ombros. Deixando somente no povo o direito (e o dever!) de escolher. Como sempre tem feito.

Portanto amanhã, uma vez mais, a democracia volta a acontecer.

 

 

Greve? Para que serve?

O actual Sindicato que está a instigar a actual greve na TAP perdeu toda a credibilidade. No fim de contas "A montanha pariu um rato" e não conseguiu parar todos os aviões e muito menos impedir que a privatização continue.

A greve é constitucionalmente um direito que assiste a qualquer trabalhador por conta de outrém. Todavia esta forma de luta parece ter-se esvaziado de conteúdo e acima de tudo de força.

Antigamente a greve era usada para obter melhores salários. Hoje esse sentido desapareceu e esta forma de luta é usada somente como forma de protesto contra qualquer coisa. Mais ou menos do género "Sou do contra, bora para grave!".

Outro exemplo é o da greve do Metro. Para o Estado é optimo que isso aconteça: não paga salários, não gasta energia, é só "abichar". E curiosamente quem se trama é o utente que de passe antecipadamente pago, não tem um serviço.

É tempo de alguns dirigentes sindicais acordarem para a realidade portuguesa. Já não vivemos no "Verão Quente" de 75. Passaram já 40 anos... Lembrem-se disso!

Uma vez mais o meu aplauso!

Para António Barreto.

Este Sociólogo deu esta noite uma longa entrevista a um dos canais por cabo, onde falou de tudo um pouco. Especialmente de Portugal.

Barreto que até já foi Ministro da Agricultura pelo PS, demonstrou uma vez mais um invejável discernimento e uma profunda lucidez.

Num país sempre em busca de referências positivas António Barreto continua a ser uma voz contra. Não do contra como muitos fazem mas somente contra.

Contra esta classe política pouco sincera e ávida de poder, contra um sistema velho e caduco e que não se autoregenera, contra a ideia pré-concebida de que os portugueses não prestam.

Com a calma e a serenidade que o caracterizam este analista respondeu a todas as questões sem receios nem tabus. Um exemplo para os actuais políticos... agora que se aproximam as eleições

Afligiu-me no entanto a sua declaração final. Disse Barreto: ...Há politicos em Portugal que usam a democracia como instrumento de despotismo".

Hoje curiosamente em dia da Liberdade fiquei deveras preocupado!

 

Presidente da República: um cargo a prazo!

 

Há coisas na política que realmente eu não entendo. E uma delas prende-se com alguns ilustres da vida portuguesa, que adoram chegar-se à frente.

 

Falo claramente de alguns “presidenciáveis”. A tão longa distância das eleições presidenciais há já quem se assuma como “não-candidato”… Como se esta figura fosse tão ou mais importante que um candidato.

 

Acredito que por esta hora já se estejam a fazer suposições sobre eventuais candidatos a candidato e em face disso a tentar contar espingardas para uma longa batalha sem ter vencedor (para já!) antecipado.

 

Abordo este tema porque não gostei do que o Professor Marcelo disse esta noite na TVI. Como pode dizer que não é candidato quando ninguém, que eu tivesse ouvido, referiu que o Prof seria o candidato do Governo a PR.

 

A opinião de alguns comentadores não chega para um possível candidato deixar de ser uma possibilidade e passar a ser uma certeza. Por muito que custa a alguns pseudo-candidatos.

 

É por estas e por outras que os políticos são vistos na maioria como gente sem carácter nem categoria, para ocuparem os lugares para os quais foram “chamados” em nome de uma tal de democracia.

 

Entristece-me profundamente que estejamos (quase) todos, desde 2011, a pagar uma pesadíssima factura, para a qual não contribuímos, e os verdadeiros culpados, na sua emissão, continuem a pulular por aí, como de perfeitos inocentes se tratassem.

 

E provavelmente ainda consideram que estão em condições para irem a PR.

Portugal entre duas ditaduras

Durante perto de meio século, Portugal viveu debaixo de uma ditadura que nos deixou “orgulhosamente sós” perante a Europa e o restante Mundo. O país não evoluía, não saía de um marasmo triste e bacoco mesmo com a estúpida opção de aceitar uma guerra colonial que estava, desde a sua génese, destinada ao fracasso.
Nesse tempo os nossos políticos não souberam alertar convenientemente Salazar para os perigos desse isolamento. Conta-se mesmo que certa vez alguém muito próximo do antigo “Presidente do Conselho” falou-lhe em democracia para Portugal e ao que Salazar terá respondido: “A democracia é boa para os povos do norte da Europa que são organizados e disciplinados, não para os portugueses!”.
Seja como for quando se deu a “Revolução dos Cravos”, Portugal era um país profundamente pobre mas honrado, assaz atrasado em relação à restante Europa, para onde apenas exportava mão-de-obra barata mas sem qualificação (grande parte dos homens fugiam à guerra colonial!).
Com a chegada da dita democracia, que Salazar não concebia para Portugal, o país saltou do oito para o oitenta. De um ápice deixou-se de pensar nos deveres e apenas nos direitos. Passou-se de um país amordaçado por uma polícia política com cariz nazi para uma liberdade histericamente ensurdecedora. Os partidos políticos da altura ampliavam e de que maneira aquele ruído de a tudo se ter direito, não olhando a quaisquer custos.
Assente no tema dos três dês – descolonizar, democratizar e desenvolver – que saiu do 25 de Abril, surgiu um grupo de políticos que avidamente tomaram este país de assalto. Em breve devolveram as colónias aos seus naturais – com profundos custos para Portugal -, consolidaram a democracia muito à custa dos militares e finalmente entregaram à Europa a possibilidade de desenvolver este país.
E partir daqui tudo foi permitido: dar reformas a quem nunca havia descontado, aumentar exponencialmente os ordenados dos trabalhadores sem que estes criassem riqueza na mesma quantidade, construíram-se infraestruturas, sem se perceber muito bem como se iria pagar.
A entrada na União Europeia e no Euro, colocou-nos num patamar de exigência para o qual não estávamos de todo preparados. E expressão duma Europa a duas velocidades só passou a fazer realmente sentido desde que entrámos no Mercado Comum.
Só que a crise financeira iniciada em 2008 nos Estados Unidos, veio finalmente por a nu a nossa fragilidade na política orçamental, plasmando-se nas actuais políticas restritivas impostas pela troika. Portugal não criava nem cria riqueza para a despesa que ainda apresenta. Os mercados internacionais foram-nos valendo até rebentarem as bolhas especulativas. E aí… foi o caos!
Em jeito de conclusão direi que nos últimos 90 anos da história de Portugal se viveu entre duas ditaduras: a primeira encabeçada por homem teimoso, austero mas sério; a segunda titulada por uma democracia incompetente, pueril e profundamente desonesta.

Ganhar e perder também é democracia

 

Após as autárquicas do passado Domingo quase todos os partidos, exceptuando claramente o PSD, reclamam vitória. Uns porque ganharam mais votos, outros porque têm mais câmaras e outros… só porque o PSD perdeu, já ganharam.

 

Mas se lermos com algum rigor os resultados percebemos que as vitórias, ditas pelos próprios, esmagadoras, não o foram assim avassaladoras. Nem mesmo as derrotas!

 

Passo a explicar!

 

Em Julho do ano passado Pedro Passos Coelho compreendia à distância, que as medidas e reformas implementadas pelo seu Governo, numa total submissão à vontade de uma troika profundamente insensível ao país, não estavam a ser bem aceites pela generalidade da população.

 

Em pouco tempo destrui-se a economia, reduziu-se a massa salarial da generalidade dos portugueses, atirou-se para o desemprego milhares de pessoas. Um país desmoronava-se com um castelo de areia.

 

O actual Primeiro-ministro já nesse início de Verão de 2012 percebeu com alguma clareza que numas próximas eleições seria severamente penalizado pelo eleitorado. Era natural! Foram as autárquicas como podiam ter sido as Europeias...

 

Para ajudar ao descalabro eleitoral ora evidenciado, Pedro Passos Coelho e a sua máquina partidária, também não souberam escolher alguns dos candidatos autárquicos: Meneses no Porto, Seara em Lisboa ou Moita Flores em Oeiras, foram apenas alguns dos casos mais evidentes dessa má opção.

 

Seja como for o PSD foi para estas eleições com as espectativas muito em baixo. Só um idiota era capaz de acreditar que o partido do governo laranja fosse ter agora melhor votação, após dois “annus horribilis” de governação. Desta forma a derrota é assumida sim mas não é tão estrondosa como alguns comentadores pretendem fazer passar.

 

Da mesma forma o partido liderado por António José Seguro não obteve uma fantástica vitória. No actual contexto político e social foi demasiado muito fácil ao PS ter uma votação superior ao PSD. Mas mesmo assim o PS foi também penalizado. É preciso não esquecer que das 33 edilidades perdidas pelo PSD, só 18 passaram para os socialistas. O que equivale dizer que houve deslocação de votantes do PS para a esquerda – PCP – ou até para a direita – CDS.

 

Na verdade coube ao PCP o grande feito da noite das eleições, algo que já não acontecia vai para muitos anos. Subiu em número de eleitores e de câmaras conquistadas, o que equivale a dizer que o discurso de Jerónimo de Sousa teve bom acolhimento junto da população desesperada e impotente.

 

O CDS foi uma das surpresas da noite. Cinco câmaras que lhe caíram nos braços quase sem saber. Uma prova de que a escolha de (bons) candidatos também se mostrou importante, não obstante fazer parte do actual Governo.

 

Quanto ao Bloco de Esquerda, mantém a queda livre já verificada em eleições anteriores e perdeu a única câmara que conquistara. Um partido condenado pelos seus próprios dirigentes à extinção.

 

Resta uma palavra para os independentes. Grandes conquistas mostrando desta forma à sociedade, que nem só de partidos políticos se faz a (boa) democracia.

 

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