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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

A cusquice humana!

Creio ser da natureza do homem este tentar saber o que se passa na vida dos outros. Não imagino se é porque não quer saber da sua, se é somente por mera curiosidade ou outra razão qualquer. Talvez por isso as chamadas revistas cor de rosa tenham tanta saída.

Mas ao contrário do que é maioritariamente assumido pela sociedade não são só as mulheres as únicas interessadas na vida alheia. Há muito homem que é como o gato: muuuuuuuito curioso.

Hoje viajei de Metro. Este apresentava-se quase cheio e por isso fiquei, sem qualquer problema, de pé. Diversas pessoas ao meu redor: altas, baixas, brancas e de outras cores, portuguesas e estrangeiras. Uma miscelânea usual agora nos nossos transportes.

Numa estação entrou uma jovem que vinha vidrada no seu telemóvel, como é agora habitual. Ficou naquele meio a digitar e naturalmente receber mensagens. Entretanto percebi que um cavalheiro situado precisamente atrás dela, estava deveras atento no que a jovem escrevia, mesmo que o fizesse de forma dissimulada. Chegou ao ponto de se rir…

E eu a assistir. Placidamente!

Nova paragem e a menina volta a escrever. E o cidadão continuava a ler. De tal forma que a determinada altura nem fazia menção de esconder a sua atitude.

Pelo meu lado esbocei então um sorriso interior pois acabara de chegar à conclusão de que a curiosidade humana não é coisa somente de mulher.

O turismo bairrista

Até há uns anos a baixa pombalina, e não só, alimentavam-se exclusivamente dos próprios lisboetas. Os turistas existiam, mas em número muito inferior aos da cidade. O seu valor era quase residual...

Neste panorama era fácil sermos abordados por algum empregado de restaurante a convidar-nos a entrar na sua "xafarica" de forma a taparmos o apetite.

Porém a evolução é uma coisa muito gira. Mas muito facilmente perdemos o controlo das coisas.

Hoje fui à Baixa Pombalina fazer uma compra. Atravessei ruas e ruelas passei à frente de inúmeros restaurante e para meu espanto... não fui abordado por nenhum empregado de restaurante.

A minha vestimenta de trabalho (fato e gravata) colocava-me nos "a excluir". Para logo atrás de mim um casal com ar estrangeiro ser rapidamente abordado.

O mais curioso é que na zona onde trabalho, fora do centro pombalino, não há turistas a não ser aqueles que saem dos hotéis em busca do Metro ou outro transporte.

Naquela zona há também uma imensidão de restaurantes. Mas nenhum deles anda a angariar clientes na rua. Outras posturas...

Noutro local da cidade mais turistico há novas abordagens e ofertas. Deste modo a cidade de Lisboa vive diferentes vidas.

Porque o turismo o obriga, porque a cidade parece perder identidade.

São assim os euros a mandar! E é pena! Ou provavelmente... não!

 

Na minha cidade! - 3

São nove da manhã. Estou num dos centros financeiros da cidade, paredes meias com a Avenida da Liberdade. Após o meu pequeno almoço tenho que ir a uma caixa automática fazer pagamentos.

À porta um colega fuma um cigarro.

Cumprimentos para cá, larachas para lá eis senão quando reparo numa situação estranha que se passa ali mesmo ao pé: uma mulher com três crianças pequenas encontra-se num meio de uma passadeira à conversa com outra senhora.

Não se preocupou com os carros. De todo! Mais uma que considera a passadeira o prolongamento do passeio.

É meio-dia e meia hora. Somos seis num táxi. Tivemos sorte de apanhar um desses com muitos lugares. O trânsito àquela hora está autenticamente um caos. São os transeuntes, na maioria turistas, os já célebres "tuk-tuk", os autocarros, os centenários electricos tudo junto com destino às zonas mais turisticas da cidade, curiosamente local para onde tentamos ir.

Uma das conhecidas calçadas de Lisboa tem dois sentidos para os carros, mas somente um para os electricos. O táxi começa a subir a rua mas a meio há uma carrinha a descarregar. Impossível passar.

O táxista é paciente e estranhamente não apita. Todavia o pior estaria para chegar... Duzentos metros mais acima a rua alarga, mas há carros estacionados no sentido descendente e em segunda fila está outro carro. Mesmo à nossa frente um electrico não consegue passar. Os carros no sentido descendente estão parados porque não conseguem contornar o que está mal parado. Há que recuar de forma a dar espaço ao transporte público de passar.

Ao lado do nosso táxi uma menina tenta recuar o carro no sentido ascendente. Por diversas vezes que o tenta. Enerva-se e deixa descair o seu veículo batendo no da frente (o tal que está indevidamente parado e atrapalhor tudo isto!). O "nosso" táxista decide, á boa maneira marialva, salta do táxi, tira a menina do carro e retira a viatura do local.

Entra no táxi todo contente. Finalmente seguimos viagem. Com imenso prazer assistimos sem querer a mais um belíssimo retrato humano da nossa cidade.

Esta minha cidade!

Trabalho no centro da cidade de Lisboa, ali bem perto onde se cruzam caminhos, alegrias e tristezas e onde a estátua de um antigo ministro de Portugal muito bem acompanhado pelo rei da selva , fiscaliza a baixa com o seu nome.

Do cimo do prédio onde trabalho tenho uma visão bem simpática das diversas colinas da cidade e até do Tejo, espelho fantástico desta urbe Pombalina e não só!

Um destes dias voltei a subir ao cimo do prédio e de lá conferi as gruas de construção que pude contar até á distância que a minha vista alcançou. Nove... A baixa de Lisboa quase sugere um verdadeiro estaleiro tal o número de torres altaneiras que ajudam nas obras de edificação.

Mas o pior é que os edifícios que se estão a construir são quase todos para hotéis. Isto é, o centro da cidade vai assim perdendo cada vez mais habitantes permanentes.

Daqui a uns tempos a baixa lisboeta tornar-se-á a ser um autêntico deserto… Se não o for já!

Bom tempo ou mau tempo?

Ontem o meu infante mais novo chamou-me a atenção para algo que já ouvira milhentas vezes na rádio e que se prende com o tempo metereológico..

Entendo que os citadinos sejam eles de Lisboa, do Porto ou de "Bracara Augusta" não apreciem de todo a chuva e queiram sempre o sol. O que provavelmente não percebem ou não entendem é que a chuva não é por si só um mal mas um bem. As terras agrícolas vivem essencialmente da água que advém das chuvas ou de regas devidamente preparadas.

Sem a devida água nada se cria, nada cresce... tudo mirra. Daí fazer sol nem sempre é sinónimo de bom tempo.

Assim quando os lisboetas vão ao supermercado e consideram a fruta ou os legumes muito caros, olvidam o trabalho e os gastos inerentes à produção. É verdade que este tipo de chuva, que cai espaçadamenote em torrentes quase diluvianas, não é a melhor. Mas enquanto não há outra aceitemos esta.

O meu cebolo agradece assim como os feijões semeados o fim de semana passado. A flor da laranjeira e da amexeeira é que não gostaram do granizo de ontem à noite.

O tempo bom neste momento tem de ser de água e não de sol... O frio, esse é que poderia ser evitado.

Mas ninguém manda na metereologia... E ainda bem!

Na minha cidade! - 2

Havia acabado de almoçar com um alargado grupo de amigos. O restaurante estava cheio e havia já gente na rua à espera. Saí então e aguardei que os outros também abandonassem o restaurante.

Enquanto aguardo vejo um canito normal de pêlo claro que desce a rua inclinada. Traz coleira mas vem solto. Parece-me simpático. Atrás do animal um jovem caminha a certa distância de tal forma que não percebo se é o dono do cão ou não.

O canito passa encostado a mim. Estalo os dedos na vã esperança que pare de forma a fazer-lhe uma festa. Nada... segue em frente.

- Este não dá confiança a ninguém - penso eu, para com os meus botões.

De repente o jovem chama o cão que pára e volta para trás. Depois ordena-lhe:

- Cumprimenta este senhor...

O cão então aproxima-se de mim e deixa que eu lhe faça uma festa. Mais... Como gosto muito de cães e não tenho medo de nenhum deles, baixo-me e o cachorro espeta-me uma lambedela na mão.

Depois parte. Agradeço ao jovem a simpatia de me ter deixado fazer uma festa ao seu animal.

Na minha cidade também há momentos destes... inesquecíveis!

Na minha cidade!

Detesto andar à procura de um lugar para estacionar o carro, de forma correcta e geralmente em espinha, quando de súbito surge um espaço e encontro lá uma daquelas miniaturas que ocupam metade do espaço livre.

Acontece-me tanta vez que quase parece perseguição.

Olhando para este tema mais a sério era tempo de as câmaras destinarem aos carros mais pequenos, espaços próprios de forma a evitar-se estas situações menos simpáticas.

Mas isto sou eu a pensar alto!

 

 

Na minha cidade IV - o poliglota!

Aguardo uns amigos para os levar para este restaurante. São quase 13 horas e o sol bate com força em Alfama aquecendo a tarde. Os turistas invadem literalmente as "Portas do Sol" e as ruas circundantes. Vêm aos magotes...

A Travessa de S. Tomé corresponde a uma larga escadaria que liga a Rua das Escolas Gerais à rua de cima que tem o mesmo nome da dita travessa. Aproveito a sombra que ali ainda vai morando oriunda de três árvores, para aguardar pelos meus amigos.

Na escadaria está serenamnte sentado um alfacinha típico: ar marialva, magro, cigarro ao canto da boca e a camisa desabotoada quase até abaixo, deixando perceber um fio de ouro que segura um cruxifixo. De pé outro homem com figura semelhante ao que está sentado vai, numa linguagem muito própria, entre o mau português, o portunhol e quiça outros linguajares indecifráveis, vai repito, tentando explicar a um casal de turistas onde fica a igreja de S. Vicente de Fora.

Mesmo que eu tentasse, seria humanamente impossível transcrever o diálogo. Seja como for o casal partiu à aventura... agradecendo. O homem vem sentar-se ao lado do amigo, que numa voz tão rouca como o Alfredo Marceneiro e entre duas tossidelas vai constatando:

- Agora até já falas estrangeiro...

O cicerone poliglota acena com a cabeça enquanto acende um cigarro. O outro conclui:

- Até pareces o Jorge "Jasus"!

 

A boa alma lusa!

Metropolitano de Lisboa, estação do Marquês, seis da tarde.

O comboio pára, saem e entram pessoas. Eu também. A carruagem fica somente meia.

Estou de pé junto à porta, pois a distância de duas estações não justifica sentar-me. Subitamente a meu lado uma senhora agita-se de forma estranha. Devagar vai passando com as mãos pelo vestido como fosse uma revista. Depois procura no casaco, regressa ao vestido e espreita a mala. Transporta na mão um telemóvel e uma pequena carteira. É nesta que procura agora. Volta à mala.

Todos os utentes ao redor da senhora, eu incluído, percebemos que a senhora procura algo que não encontra. Parece desesperada. Vai repetindo as buscas e em surdina vai falando algo que não entendo.

É deveras assustador a atitude desta senhora. Quase me atrevo a perguntar se necessita de ajuda.

O comboio pára na estação de Picoas e repete-se a saída e entrada de passageiros. Entretanto não tiro os olhos da senhora que continua atarefadíssima em busca de algo. Novamente busca na carteira e de repente num gesto de triunfo saca de um pequeno papel. Acalma-se enfim!

Todos ao redor, que assistiram ao pequeno drama, respiram de alívio.

Nem eu nem os outros passageiros a conheciam, mas a preocupação dela alastrou-se a todos nós. À boa maneira Lusa!

A minha (triste) cidade

Quando era miúdo e ia para a aldeia passar as férias grandes, ao regressar à cidade tinha a estranha sensação de que tudo estava diferente... para melhor. Nunca percebi muito bem este sentimento, mas era assim que me sentia.

Hoje regressei a Lisboa, a cidade que me viu nascer, após três semanas de profunda ausência. Porém o tal e bizarro sentir da juventude não fez a sua aparição, ou melhor, surgiu mas ao contrário, o que equivale dizer que (re)vi a cidade com as mesmas obras, os mesmos buracos (quiçá um bocadinho maiores), a mesma confusão, os mesmos atrasos no Metro (com desculpas tão parvas…), o mesmo trânsito caótico.

Quando parto da cidade espero que ela me dê a alegria de a reviver. Nada disso. A capital (que estranhamente até ganha prémios???) parece não ter mudado um milímetro nos derradeiros 30 anos, quanto mais nas últimas semanas. Não obstante os túneis que furam a barriga da cidade…

A Lisboa de Ary dos Santos era a “menina e moça”. A Lisboa deste que se assina é “velha e meretriz”.

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