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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Fim de semana de fogo

Literalmente!

Aproveitei este fim de semana húmido mas pouco chuvoso para queimar alguns inertes da agricultura que sobraram da altura a azeitona.

A lenha estava tão seca que bastou uma breve igniçao para logo o fogo atear e arder toda a lenha em breves minutos. Só para mostrara a diferença para outros anos, o trabalho que fiz numa manhã, noutros anos demora horas a fazer.

Pior foi a aldeia que ficou cheia de cinza, tal foram as quantidades de fogueiras que fiz.

Mas tudo aconteceu na maior segurança e sem colocar nada em risco.

Assim mais um fim de semana trabalhoso e de fogo.

Estado de graça!

Foram dez os dias que estive ausente da grande cidade. Não obstante o muito trabalho que tive com a azeitona, já referido em textos anteriores, a verdade é que senti uma paz como há muito não sentia. E nem tive saudades do corropio que é viver numa enorme urbe.

A vida no campo faz-se ao ritmo dos dias serenos. É verdade que corri um pouco de forma a ter tudo pronto antes do que estava programado, mas mesmo assim...

Os outros não correm. Sentam-se, a maioria no café, desde manhã cedo, discutindo o futebol do fim de semana entretanto passado ou então debate-se a qualidade da azeitona, as fundições previstas e as queixas da pobreza de outros anos.

Beberrica-se entretanto um traçado ou então uma "mine" bem fresca. Há quem opte por um café.

Na rua principal da aldeia o movimento automobilístico é reduzido. As viúvas, e não só, dirigem-se para a imponente igreja onde todos os dias rezam o costumado rosário. Palmilham lentamente a calçadda conforme as dores e as artroses vão deixando.

A tarde cai finalmente e a noite traz mais fresquidão. A aldeia caminha para um descanso. Para amanhã se fazer o que hoje ficou no chão!

O tal e verdadeiro "Estado de graça"!

Bago a bago – 8

Nota muito breve

 

Iniciei a escrever este texto na passada sexta feira. Todavia o cansaço era tanto que acabei por adormever antes de acabar e publicar. No Sábado parti para outras paragens sem qualquer acesso à Internet. Daí só agora escrever e terminar este conjunto de breves crónicas.

Bago - 7

 

Trezentos e setenta litros de azeite.

De 2200 quilos.

Este foi o resultado de uma semana de trabalho sob a égide da azeitona. Percorridas que foram 150 oliveiras de diversos tamanhos e quantidades de azeitona é com anormal emoção que já no lagar percebemos o azeite ainda quente a cair-

Tantas horas, tanto sacrifício para tudo se resumir neste singelo acto.

Este resultado oleícula não é obviamente usado para revenda. Somente para gastos de casa (somos muitos) ou então (na maioria das ocasiões) para brindarmos os nossos amigos. Pois... se eu fosse directamente ao lagar e comprasse o azeite gastaria muito menos, mas não teria o grato prazer de temperar as couves da consoada com aquele fluído que tanto trabalho nos deu.

Termino com uma palavra muito especial de agradecimento aos meus dois filhos que voluntariamnte se colocaram ao nosso dispor para nos ajudarem (a mim e a minha mulher) nesta demanda. E o que eles fizeram...

A oliveira é uma árvore abençoada e como disse uma vez o meu avô paterno: a oliveira paga sempre ao dono. Este ano foi caso disso.

Fim

Bago a bago - 7

Bago - 6

 

As previsões meteriológicas apontavam para chuva, no dia de hoje.

Realmente não falharam pois desde muito cedo umas nuvens pesadas e plúmbeas ameaçaram o povo com água. Foi ao meio-dia que a chuva veio e com força, dando razão ao tal ditado tão popular "ao meio-dia, carrega ou alivia".

Para meu azar carregou e com tamanha força que quase estive para desistir. Depois teimei ou teimámos os cá de casa e foi com grande esforço e estoicismo que conseguimos acabar a fazenda.

Agora faltarão uma vintena de oliveiras que segundo dizem estão outrossim carregadas.

Entretanto e para acrescentar imagens ao texto de ontem tirei estas 4 fotografias onde poderão notar os panos todos estendidos:.

panos_estendidos.jpg

 

A que seguirá finalizada a apanha da azeitona de uma oliveira a recolha do produto:

 

recolher_pano.jpg

Junta toda a azeitona colhida daquela oliveira temos:

Recolha.jpg

O que é um monte bem agradável de azeitona negra e pronta a ir para o lagar:

 

 

20171102_115224.jpg

Que será amanhã da parte da tarde.

 

Bago - 8

Bago a bago – 5

Bago 4

 

Ao fim de quatro dias a apanhar azeitona já não tenho dores... As dores é que me têm.

Este ano a coisa está difícil. Ainda bem que não chove... +pois nem imagino o que seria de nós se não fossem as varejadores eléctricas que falei antes. Seriam provavelmente semanas a colher azeitona.

Ao fim destes dias foram já contabilizados 68 sacos cheinhos de bagos negros que à média de 22 quilos cada um dá, mais ou menos, 1500 quilos.

20171031_181205_a.jpg

 

Falta saber o que virá das restantes árvores. Que ainda são muitas, Durante todo o dia saem dos panos mantadas de azeitona igual a este.

20171031_155925_a.jpg

Resumindo: a vida do campo é muito dura e dá muita apoquentação. Mas é muito mais saudável. Tanto para o corpo como para o espírito.

E enquanto não nos estrafegarmos todos.

 

Bago 6

 

Bago a bago – 4

Bago 3

 

Às 7 e 20 da manhã já estava no olival com pequeno almoço e café tomado.. 

A madrugada estava fresca a pedir mais roupa, mas resisiti e poucos minutos passaram até que reiniciasse mais uma dia na azeitona. Perguntar-me-ão a razão desta minha luta? A resposta pode ser enccontrada naquela época em que no povoado, onde vivi algum tempo, o azeite sempre foi algo de muito importante.

Primeiro... para dar a luz, já que nesse tempo a electricidade era uma mera miragem. Depois a conserva. Quem nunca comeu um belo de um queijo de azeite? Haverá algo mais saboroso e genuíno? Sinto que não.

Já para não falar das chouriças ou do negro que ficavam tempos infindáveis, naquele vasilhame de barro, até que fosse necessário para se comer.

Os próprios eixos dos carros de bois levavam o azeite de forma a rodarem melhor e sem ruído. E deste modo o azeite serviu (e ainda serve) para mil aplicações.

Com a natural evolução o azeite passou, essencialmente, a ser um produto de mesa e pronto a comer ou somente a ser saboreado.

Entretanto no campo corre uma aragem moderada que não é suficiente para deitar abaixo a azeitona, Só mesmo a alfaia eléctrica o consegue!

 

 

Após o almoço mais oliveiras, mais azeitona, mais máquina, mais mudança de panos, mais escolha, mais tanta coisa que o dia parece curto.

Pelo chão vão ficando os montes de rama cortada da poda das oliveiras.

 

20171030_104033A.jpg

Assim que o sol se esconde por detrás da colina é tempo de arrumar a trouxa. No chão ficaram os panos carregados de azeitona por escolher. Porque por aqui ainda se acredita que ninguém pretende o alheio.

Outras crenças!

Bago a bago – 3

Bago 2

 

Desde que me lembro sempre soube de onde vinha o azeite ou como este era feito. Os meus avôs tanto de um lado como de outro, sempre tiveram muitas oliveiras. Especialmente porque o povo é pobre, sem grandes chãos para cultivo rico e assim a oliveira ganhou terreno e força.

Acrescento que na aldeia que me viu crescer houve em tempos dois lagares. Ora num povoado com pouca gente, mesmo assim, lembro-me dos dois trabalharem em simultâneo.

Como o mundo não pára, há uns anos fecharam e para nunca mais abriram. E é pena.

Mas ainda não chegou o dia de falarmos do lagar. Portanto passemos ao que realmente interessa no dia de que foi o de hoje.

Acordei muito cedo e muito cedo estávamos todos no olival (eu, a minha mulher, o meu infante mais jovem e um prrimo que nos ajuda nestas coisas).

20171028_093344_a.jpg

 

O dia parecia mais fresco mas mui depressa percebi que o calor deveria vir, novamente, com força. E assim aconteceu. Pano então estendido debaixo da oliveira e quase no minuto seguinte começa a chover.

Pois não foi água, mas sim grossos bagos de azeitona arrancados à força de maquinaria…

Ah pois… que isto de andar a ripar azeitona à mão já tem os dias contados. Uma máquina faz numa hora o trabalho de dois homens para uma manhã. As varejadoras eléctricas são mesmo um grande avanço nestas alturas.

 

20171028_154142_a.jpg

A fotografia não está grande coisa, mas brevemente mostrarei como este equipamento trabalha.

Ainda não era chegada a hora do almoço e já todos andávamos de tralhas às costas da carrinha para outra fazenda. Esta última finalmente dera "uns meros20 sacos de azeitona... Muito acima da espectativa.

O dia foi aquecendo, mas a equipa não esmoreceu e no final do dia tinhamos o mesmo número de  sacos apanhados no dia anterior. Amanhã supostamente sem grandes viajens seremos capazes de arrebanhar mais uns bagos de azeitona.

Ao todo 30 sacos haviam sido já panhados.Não é realmente mau. O problema são as minhas costas já que todo o dia carrego a varejadora às costas.

O azeite pode ter sido em tempos um produto comezinho. Todavia hoje é rei numa mesa.

Entretanto antes de ser rei há escravos a trabalhar para ele.

 

Bago 4

Bago a bago - 2

Bago 1

 

O meu amigo José Navarro de Andrade no seu livro "Terra Firme" realça ideia que há muitos anos a oliveira seria uma árvore menor e à qual os agricultures lhe reservavam "... um canto da exploração de modo a que não estorvase os cultivos mais rendosos". Quem diz um canto diz junto às partilhas ou coladas ao caminho. É assim nesse espaço que se encontram algumas das minhas oliveiras. Com a agravante de recentemente eu ter lá colocado uma aramada...

Este entróito serve somente para dar ínício ao dia de hoje que começa com temperatura branda, mas acompanhada de uns sopros eólicos pouco convidativos. E que ajudaram à confusão.

Não imagino se é curiosidade ou mera coincidência, mas enquanto estive com panos e restante maquinaria do lado de fora da fazenda, passaram cinco viaturas obrigando-me, de cada vez que um passava, a desmanchar aquela feira e a remontar tudo.

20171028_093350_a.jpg

Os bagos caiam com profusão começando rapidamente a criar singelos panais. A azeitona cordovil amadurece muito mais tarde, quando o faz, e por isso na fotografia seguinte a azeitona aparece ainda muito verde.

20171028_122427_a.jpg

Após o almoço, mesmo sob uma temperatura desajustada para esta época e um sol inclemente, consegui-se recolher mais azeitona que de manhã. Os panos estendidos iam-se atapetando de bagos negros.

20171028_154203_a.jpg

Durante toda a tarde foi uma correria. Para uma safra final de onze sacos e mais este panal para escolher amanhã.

Começou mal este dia mas acabou bem.

20171028_183541_a.jpg

 

A faina terimna noite dentro, após arrumação das alfaias.

 

Bago 3

Bago a bago

É já amanhã que recomeça para mim mais uma campanha de azeitona. Reservei por isso dez dias para a coisa. Veremos se chega...

No ínicio deste mês vim à aldeia, percorri algumas fazendas e descobri muita azeitona já madura, tal como a foto demonstra. Desde lá choveu um dia ou outro, para logo o calor regressar em força.

Bom... veremos então o que cada dia nos trará.Diariamente virei aqui dizer como correu o trabalho. Quiçá com algumas fotos.

Receio que este calor não nos ajude.

 

azeitona1 (1).jpg

 

Bago 2

 

 

Uma história de vida, igual a tantas outras – II

(… Continuação)

Alguns dos leitores perguntar-se-ão: o que fez este lisboeta regressar às origens?

A questão faz todo o sentido visto à distância. Todavia para mim que sempre gostei do campo, regressar à aldeia que não me viu nascer mas viu-me crescer e pegar naquelas nacos de pedras salpicadas aqui e ali por um pedaço de terra é sentir que faço parte daquele mundo.

Mas há mais… Em 2005 a aldeia foi quase toda consumida pelas chamas. Só ao meu pai arderam centenas de oliveiras, velhas é certo, mas ainda assim produtoras de uma azeitona negra e luzidia.

Com os incêndios dos últimos anos achei que seria tempo de pegar nas fazendas e limpá-las de mato e do muito lixo largado por anónimos.

Entretanto nasceu essa autoridade chamada PDR2020 que parecia destinada a distribuir dinheiro a rodos. Falei então com uma empresa especializada que, “in loco”, avaliaram e orçamentaram o custo dos trabalhos de limpeza dos terrenos. Apresentei então um projecto àquela entidade, de forma a ser ressarcido em parte dos gastos que iria fazer. O valor em causa rondaria os onze mil euros, dos quais receberia, se tudo corresse bem, 85%. Achei que a coisa tinha pernas para andar e candidatei-me. Ou melhor… candidatou-se o meu pai pois que não obstante eu ser filho único, as fazendas ainda estão em nome dele.

Em janeiro de 2016 foi apresentada a dita candidatura para a medida 8.5 - Melhoria da Resiliência e do Valor ambiental das Florestas que obteve a aprovação e uma nota final, somados todos os critérios, de 12,5 valores.

Faltava finalmente aguardar pelo dinheiro. Entretanto coloquei a empresa a fazer os trabalhos que duraram dois longos meses. No chão ficou a lenha e os sobrantes da intervenção. Durante alguns fins-de-semana andei por lá a queimar rama cortada.

Até quase incendiei, sem querer, uma fazenda…

(Continua…)

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