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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Houve festa da minha aldeia!

As nossas raízes são... as nossas raízes.

Há,no entanto,quem tente esconder, esquecer, olvidar a sua origem, seja ela mui nobre ou muito humilde. Vá-se lá saber porquê...

Ao invés, eu assumo que nasci em Lisboa, quase por acidente, já que naquele tempo ou se nascia em casa ou na Maternidade Alfredo da Costa...

Só que as minhas ditas raízes encontram-se bem longe da capital, naquela velhinha aldeia no sopé da serra dos Candeeiros, onde sempre fui muito feliz.

Por isso todos os anos trago aqui a sua festa, que este ano se realizou no passado fim de semana. Por motivos particulares não pude lá estar.

Porém fica aqui o registo da missa e da procissão, que deu a volta à aldeia. Momentos bonitos  genuínos de gente boa e autêntica.

Curioso é que muitas das pessoas que aparecem neste filme são da minha família. Inclusivé o meu pai, a minha mãe, tios, primos... até a minha própria casa.

Sinto todavia alguma tristeza por ter estado ausente. Mas fica aqui a minha singela homenagem à Comissão de Festas.

E para o ano... estamos lá!

 

 

 

 

A vida é uma batata... ou muitas!

Mais uma vez de regresso à aldeia.

Desta vez para ajudar o meu pai a apanhar batatas.

Antigamente eram as enxadas que feriam as terras e que arrancavam à terra vermelha os tubérculos semeados no inverno. Amanhã vai ser a charrua de um tractor a colocar ao cima da terra as batatas, esperemos com muitas gêmeas.

Novos tempos, novas formas de agricultura.

Só que esta maneira requer muita mão de obra, para apanhar as batatas do chão antes que o tractor passe uma vez mais.

Deste modo foi requisitada muita "carne" para ajudar. Veremos então do que são capazes. Eu incluído!

Tempo na aldeia!

É extremamente raro passar na aldeia uns dias como passei os últimos. Geralmente venho cá para resolver uma quantidade de problemas que foram surgindo e ando numa roda viva. Desta vez vim com calma, passeei pelas fazendas, olhei com olhos de ver e decidimos muitas coisas para o futuro.

Assim sabe bem vir à aldeia, respirar o ar puro e sentir o pulsar da natureza na candeia das oliveiras, nas flores das cerejeiras ou no perfume inebriante das laranjeiras floridas.

Ao invés do ruído cosmopolita da cidade adoro escutar o cantar dos grilos no chão atapetado de erva seca, o coaxar das rãs na charca próxima ou os trinados afinados da passarada agitada.

Sabe tão bem este som da natureza.

Senhor dos Passos

Há uns anos cheguei à Beira também numa quinta feira de Paixão e nessa noite descobri uma procissão em louvor do Senhor dos Passos. Esta procissão simboliza o caminho de Cristo para o Calvário, carregando a cruz onde seria cruxificado.

Uma pequena deslocação na aldeia geralmente com poucos fiéis. Todavia para mim naquela altura fez sentido e gostei do que vi e senti.

Por isso hoje pretendi sair de Lisboa o mais cedo possível de forma a chegar à aldeia a tempo, se não da missa, pelo menos da dita procissão.

Ao que constatei este ano a missa iniciou-se mais cedo porque o padre necessitava de ir, literalmente, "pregar para outra freguesia".

No entanto consegui chegar a tempoo e seguir o pequeno cortejo e ainda tirar algumas fotos.

Curioso eram as opas da "Irmandade das Almas" - organização da aldeia composta só por homens que ajudam neste tipo de eventos - todas negras, assim como o manto que cobria a imagem de Nossa Senhora.

A banda vinha atrás do prior e tocava uma música triste, apanágio desta altura.

Desta vez não experimentei, mas parece que o andor do Senhor dos Passos é deveras pesado. Entretanto antes de entrar na pequena capela onde pertence a imagem, é costume os fiéis presentes passarem por debaixo do andor principal, largando uma esmola.

Singela, mas sentida iniciativa.

 

Senhor_passos.jpg

A foto não é boa, mas com telemóvel e sendo crepúsculo foi difícil fazer melhor...

 

Uma (má) história de vida

Esta não vai ser uma daquelas histórias que costumo publicar aqui (que como a Golimix diz acabam sempre mal). Ao invés esta é uma verdadeira (má) história de um antigo amigo meu. Digo antigo porque actualmente o melhor amigo dele é aquele que lhe pagar a última cerveja.

Mas vamos ao que importa…

Durante os últimos dias fugi da cidade e parti para a minha aldeia, que é tanto minha como de outra qualquer pessoa. A verdade é que foi naquela aldeia que nasceram os meus pais e onde fui realmente muito feliz.

Desse tempo guardo gratas recordações e muitos amigos. Entre eles o A.

Uma mão cheia de anos mais novo que eu, tivemos uma grande amizade que os anos, e não só, diluíram. Filho mais novo de uma das famílias mais pobres da aldeia, muito por culpa de um pai alcoólico e pouco trabalhador, com ele aprendi muitas coisas relacionadas com a vida do campo.

Mas a vida não lhe foi simpática e muito cedo teve que largar a escola onde não era grande aluno para procurar sustento.

Certo dia de Verão, quando o Sol queimava as pessoas e o ar, encontrei-o a caiar uma parede à torreira do astro rei. Admirado e condoído com aquele espectáculo perguntei-lhe:

- Ouve lá tens alguma necessidade de estares aí à hora de maior calor?

Parou, poisou a brocha e disse-me:

- O corpo não me ralo que sofra, quero é ter dinheiro no bolso.

Achei tão estranha aquela atitude que ainda hoje me intriga.

Entretanto o clube que hoje existe na aldeia é claramente o centro da vida social. Lá poderemos encontrar quase toda a gente. Geralmente às horas de descanso os homens ficam na rua falando sobre tudo e sobre nada e as senhoras lá dentro fazendo o mesmo.

O meu amigo A. é hoje um cliente assíduo. De manhã e depois do almoço para o costumado café, à tarde para… se embebedar.

Um destes dias já noite fui também ao clube rever outros amigos e família e naturalmente encontrei-o por lá. Profundamente alcoolizado. De tal forma que mal me conheceu.

Olhei-o de frente sem medo e percebi que A. tinha uma história de vida cruel e injusta. Da sua vida pessoal soube que chegou a casar para logo se separar, tendo desse relacionamento nascido uma filha que segundo descobri não quer saber do pai vai para muitos anos.

Vive num barraco com um dos irmãos, onde predomina o odor pestilento do gado caprino que ele cuida. Ou tenta cuidar.

Na tal noite percebi que no clube os utentes mal lhe falaram. Perguntei a um primo presente a razão do afastamento. A resposta veio assertiva:

- Tem mau vinho. Quando está bêbado ninguém, pode falar com ele. Sóbrio ainda vai…

Ainda estive para ir ter com ele, mas alguém me travou, abanando um redondo não. Ele estava numa ponta do balcão… eu na outra. A. está magro, não tem a maioria dos dentes, bebe em demasia, fuma alarvemente e tem o aspecto de ter idade para ser meu pai. Uma profunda miséria de homem.

Descobri da pior maneira que a minha vida, mesmo com algumas queixas, não é tão má quanto a dele.

Este meu amigo não merece… ninguém merece uma má história de vida.

Após o fim de semana

Continua a saga na minha aldeia. Hoje a meio da tarde era impossível andar por lá, tal era a chuva. Constante, grossa e fria. Ainda aguentámos duas horas após o almoço, mas ao fim desse tempo tivemos de desistir. Totalmente impossível. Certo, certo é que com este tempo não há perigo de fogo, como aconteceu na última vez. Quando cheguei a casa parecia que havia saído do mar pois não havia peça de roupa que não estivesse encharcada. Tenho consciência que um dia vou pagar caro esta teima de andar a queimar à chuva, mas tenho de aproveitar enquanto posso. Já por aqui referi que prefiro a vida de campo à da cidade, todavia há momentos em que devia parar para pensar. Estes últimos dias não o fiz. Assim amanhã haverá mais.

Quando o adágio não bate certo...

Sempre tive a convicção de que o povo é sabio. Esta sabedoria advém de muitos anos de experiência, de vivências, de momentos felizes ou nem tanto.

Seja como for há um provérbio, adágio ou mera sabedoria que diz o seguinte: "quando um homem tem sorte até o vento junta a lenha".

Pois... isto pode ser muito verdade mas hoje não foi isso que aconteceu. Bem pelo contrário...

O dia acordou frio e ventoso, muito ventoso. No céu, aqui e ali, uma nuvem mais escura mas sem ameaçar chover. Na fazenda havia muita lenha para escolher e queimar. Era esse o nosso propósito.

A manhã correu bem. O vento abrandou, cairam uns borrifos o suficiente para amainar o fogo crepitante e por vezes muito crescido. Consegui, com a ajuda preciosa da minha mulher e do meu filho mais novo, queimar muita rama cortada e amontoar a lenha mais grossa que servirá para aquecer as noites frias do próximo Inverno, já que este está a finar-se.

Após o almoço teimou-se. O vento voltara a crescer e era necessário mil cuidados... Que não tive.... De súbito o vento mudou repentinamente de direcção e apanhou rama seca mais próxima. No segundo seguinte andávamos três pessoas ao redor do lume a tentar apagar ou desviar a lenha seca que ainda não fora consumida pelo lume. Dois pinheiros viram-se envolvidos neste brazido inesperado e tive então de me socorrer do 112 e chamar pelos bombeiros antes que a coisa alastrasse.

Todavia quando chegaram, o fogo estava já controlado por nós, mas mesmo assim despejaram uns tanques de água, não fosse novamente o vento tecê-las.

Não ganhámos para o susto.

Com este acontecimento fica provado uma de duas coisas: ou o vento não junta a lenha ou então sou eu que não tenho sorte.

Uma causa maior!

Há quem pense que a vida no campo corresponde somente a coisas fantásticas. Comer e beber do bom e do melhor, passear pelos campos ou simplesmente conviver na tasca ruidosa da aldeia.

Contudo e sem tentar negar que tudo é possível fazer no campo, a realidade tende a ser um tanto diferente.

Seja na aldeia, seja numa vila ou na cidade, o certo é que nada se tem sem trabalho... muito trabalho. Todavia da aldeia piora um pouco: as uvas jamais nasceriam se não houvesse uma poda, cortanto os ramos velhos. A azeitona jamais daria azeite se não a apanhássemos da árvore no tempo devido. As ovelhas jamais dariam leite se o pasto não fosse suficiente. As colheitas de trigo ou milho nunca seriam boas se não existisse uma monda.

A vida campestre não é um emprego das nove às cinco, bem pelo contrário. A labuta no campo não dá descanso pois o gado necessita comer todos os dias e nunca mete férias. Os campos requerem trato e cuidados. As árvores necessitam de podas especializadas. A horta deseja água...

Tudo somado são dias, semanas, anos entregues a uma espécie de causa... maior!

Coube-me nestes últimos dias ser um pouco de agricultor ou lavrador (como antigamente se auto-denominava o meu avô!). Foram dias duros, muito duros com o calor a não dar tréguas. Horas a fio a carregar mato para um monte que assim que se puder se colocará a arder.

O curioso é que assim que a noite chega... nem há vontade de sair de casa. O leito é o mais desejado. Porque o corpo reclama o merecido descanso.

A vida do campo não foi feita unicamente para homens rudes. mas somente para homens amantes da terra fértil!

Natureza alterada?

Seguindo os conselhos de um comentador que simpaticamente me visita, venho só aqui dizer que hoje finalmente choveu, aqui na aldeia. Não foi muito mas foi o suficiente para andar todo o dia molhado.

Agora mais a sério, a chuva já começa a fazer falta.Muita falta. Assim como o frio.

Hoje acabei por reparar que uma macieira, que eu próprio enxertei vai para alguns anos, já tem folhas novas... como se estivéssemos na Primavera!

O clima parece difinitivamente alterado! E agora temos de nos adaptar a esta nova realidade!

A Mãe-Natureza a fazer das suas! Ou será que é a humanidade que quer mandar definitivameente na Natureza?

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