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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Reflexão ao almoço!

Às três da tarde éramos nove sentados à mesa e uma debaixo de mesa.

Ao Domingo é (quase) sempre assim.

O almoço coube a mim fazê-lo: Uma sopinha cheia de entulho, seguido de chambão de vaca estufado com batatas assadas no forno. Gelado e melão para encerrar o repasto. E claro cafés e digestivos.

Durante a refeição olhei para a mesa e percebi que sou um felizardo. Não é só por ter esta família barulhenta (mais a cadela Bolota, a que fica debaixo da mesa), mas essencialmente por poder comer coisas por mim cultivadas ou apanhadas.

Vejamos então: o azeite que tanto trabalho me dá em Novembro, o tomate da salada, as cebolas, a hortaliça da sopa e por fim as batatas que foram arrancadas à terra na semana passada.

Quantos se poderão vangloriar disso?

A agricultura dá muita chatice, muito trabalho para se ter um momento destes. Mas acreditem vale bem a pena!

Eu não disse?

Pois... hoje acordámos todos muito cedo, especialmente quando é Sábado e gostamos de ficar mais um par de horas a descansar.

Tudo por causa disto.

Segue a prova de que somente com trabalho se consegue obter alguma coisa.

Foi pobre este ano, para as batatas. Pudera com a pouca chuva seria difícil dar mais.

Mas pronto... sessenta sacos, uns mais cheios que outros, foi o resultado de duas horas de árduo trabalho.

Fica a foto para a posteridade.

Não apareço porque estava por detrás da máquina... como é obvio!

DSC_1624.JPG

 

A vida é uma batata... ou muitas!

Mais uma vez de regresso à aldeia.

Desta vez para ajudar o meu pai a apanhar batatas.

Antigamente eram as enxadas que feriam as terras e que arrancavam à terra vermelha os tubérculos semeados no inverno. Amanhã vai ser a charrua de um tractor a colocar ao cima da terra as batatas, esperemos com muitas gêmeas.

Novos tempos, novas formas de agricultura.

Só que esta maneira requer muita mão de obra, para apanhar as batatas do chão antes que o tractor passe uma vez mais.

Deste modo foi requisitada muita "carne" para ajudar. Veremos então do que são capazes. Eu incluído!

História dos nossos incêndios

O título sugere que fale aqui de outros grandiosos fogos que deflagraram em Portugal nos últimos anos, porém não é esse o intuito deste texto.

Deste modo recuemos meio século nas nossas vidas. Olhemos para o país dessa altura como se tivéssemos num aparelho como aqueles que agora invadem os nossos ares: um drone.

O que veríamos? Muita pouca floresta, imensos campos cultivados fossem de semeadura ou simplesmente de pastoreio. O povo acordava cedo e cedo pegava na enxada, gadanha ou foice e calcorreava caminhos para cortar a erva, ceifar as searas, mondar as batatas ou o milho. Lembro-me, a título de mero exemplo, do meu falecido avô ter cavado uma fazenda alcatifada de pedras, numa dúzia de dias, para aí depois lançar semente à terra. Sem dúvida outros tempos!

Mas um dia Portugal achou que era tempo de se modernizar. Dos portugueses serem todos iguais, vivessem na cidade ou no campo. De terem mais direitos.

E o país cresceu, desenvolveu-se e em muitas aldeias onde a água, só existia a do poço retirada à força de braços e a luz, a que a lamparina de azeite oferecia, passou a haver luz no tecto e água nos canos. O lume da lareira que cozia as couves e as batatas em viúvas panelas de ferro, foi naturalmente substituído pelo gás de bilha.

Foi a loucura da evolução. Só que…

As pequenas matas onde se recolhia a lenha para a tal lareira deixaram de ser limpas. Depois o velho forno onde era cozido o pão ou a broa, de quinze em quinze dias, deixou de trabalhar porque alguém passava com a carrinha com pão quente todas as manhãs, acordando muito cedo a aldeia. Ora deixou então de ser necessário semear trigo, milho ou o centeio.

Em pouco tempo as matas cresceram exponencialmente. A título de exemplo uma fazenda onde hoje (ainda) existe um pinhal, foi durante muitos anos terra de semeadura e deu centenas de alqueires de milho e trigo, durante dezenas de anos.

O povo aldeão, essencialmente o mais novo, começou então a procurar nas vilas e nas cidades mais costeiras novas formas de rendimento. E diziam quando de lá vinham: em Lisboa é que é vida.

Iniciou-se assim o abandono das terras. Os pais ficavam, mas os filhos partiam. A idade, as doenças e aquela pensão que nunca imaginaram receber obstaram entretanto a que os terrenos continuassem a ser amanhados. Não havia necessidade.

E a floresta a crescer. Desordenadamente!

A terra já não dá milho nem trigo mas dá madeira. E muita e bem paga… e sem trabalho. Nascem assim os eucaliptais e os pinhais bravios. Estes alastram-se desmesuradamente. Até aos dias de hoje.

O mesmo drone que planou no nosso passado, referido acima, deixou agora de ver campos semeados, verdes ou doirados, somente enormes manchas de arvoredo que paulatinamente se estão a transformar em manchas de carvão.

Portugal soltou-se de ser um país essencialmente agrícola, como o fora durante séculos, para se tornar um paraíso em prestação de Serviços. Esplêndido… observaram muitos!

Estamos a pagar por isso.

Pela forma como a nossa classe política nunca olhou para este problema com olhos de ver. E sempre empurrou com a barriga o problema.

Pela forma como tantos técnicos especializados afirmam o que está errado e ninguém os ouve.

Pela forma como o factor climatérico evoluíu negativamente sobre as nossas terras.

O custo de tudo isto começou o país a pagá-lo faz muito tempo, mas este ano o preço, infelizmente, está pela hora da morte.

Obviamente de gente inocente!

Trabalho de FDS

Ah pois é... julgavam que era mentira. Mas não é.

Eis infra a prova de que o meu fim de semana é sempre recheado de coisas verdes (para além do meu Soporting, é claro!).

Há quinze dias foram mais de 200 pés de cebolo e alguns regos de feijão. Desta vez foram tomareiros, pimenteiros, curgetes, pepinos e dois pés de framboesas bravas.

Na escola nunca tive grande jeito para o desenho. Ainda hoje se nota isso nos regos mais ou menos tortos que cavei.

Mas desde que dêem o que é preciso, estamos bem!

quintal.jpg

 

Primeira chuva de Outono

Já tinha saudades de ver e ouvir chover. Após uma série de meses sem um pingo de água e com demasiado calor gosto desta pluviosidade.

Cheira a terra molhada. Este aroma tão característico é o primeiro sinal da sede que a mesma terra exibe. Agora as couves e restantes legumes vão crescer como nunca, pois vale mais um litro de água da chuva que cinco da torneira.

Se a chuva persistir até amanhã vamos ter problemas com o trânsito, já que há alguns condutores que continuam a andar na estrada como se o piso estivesse seco, o que vai originar com toda a certeza acidentes de viação.

Só espero e desejo não ser envolvido em algum acidente. Já me chegaram os que tive este ano... AInda por cima sem culpa em nenhum deles.

Eis assim a chuva benfazeja!

Que alegre os campos que bem necessitam desta água.

 

Uma causa maior!

Há quem pense que a vida no campo corresponde somente a coisas fantásticas. Comer e beber do bom e do melhor, passear pelos campos ou simplesmente conviver na tasca ruidosa da aldeia.

Contudo e sem tentar negar que tudo é possível fazer no campo, a realidade tende a ser um tanto diferente.

Seja na aldeia, seja numa vila ou na cidade, o certo é que nada se tem sem trabalho... muito trabalho. Todavia da aldeia piora um pouco: as uvas jamais nasceriam se não houvesse uma poda, cortanto os ramos velhos. A azeitona jamais daria azeite se não a apanhássemos da árvore no tempo devido. As ovelhas jamais dariam leite se o pasto não fosse suficiente. As colheitas de trigo ou milho nunca seriam boas se não existisse uma monda.

A vida campestre não é um emprego das nove às cinco, bem pelo contrário. A labuta no campo não dá descanso pois o gado necessita comer todos os dias e nunca mete férias. Os campos requerem trato e cuidados. As árvores necessitam de podas especializadas. A horta deseja água...

Tudo somado são dias, semanas, anos entregues a uma espécie de causa... maior!

Coube-me nestes últimos dias ser um pouco de agricultor ou lavrador (como antigamente se auto-denominava o meu avô!). Foram dias duros, muito duros com o calor a não dar tréguas. Horas a fio a carregar mato para um monte que assim que se puder se colocará a arder.

O curioso é que assim que a noite chega... nem há vontade de sair de casa. O leito é o mais desejado. Porque o corpo reclama o merecido descanso.

A vida do campo não foi feita unicamente para homens rudes. mas somente para homens amantes da terra fértil!

Agricultura versus tecnologia

Quem anda pelos campos por esta altura do ano percebe a azáfama que atira homens e mulheres para as oliveiras em busca de um bago negro de azeitona.

Já lá vai o tempo em que ranchos de gentes invadiam as aldeias pouco populosas em busca de trabalho. Hoje tudo é diferente, muito diferente.

Primeiro que os lagares antigos, de galgas pesadas e ceiras negras, foram barbaramente abolidos e no seu lugar nasceram industrias de transformação de azeitona em azeite, quiçá mais asseado mas menos tradicional.

Em segundo lugar a diferença está na própria azeitona. Antigamente era sã, negra e luzidía. Hoje a maior parte encontra-se mirrada pela falta de água ou simplesmente estragada pelas diferenças de temperatura que o Outono vai trazendo.

E finalmente as alfaias agrícolas. Outrora eram as mãos as grandes obreiras da queda dos bagos lutuosos. Mais tarde surgiram umas espécies de pequenos ancinhos de metal ou ferro que ajudavam os apanhadores, pelo menos a não magoarem tanto as mãos. Noutras zonas há quem use longas varas. Até que inventaram a máquina de "colher azeitona". Um enorme avanço com diferentes opiniões e modelos: elas são as "bate-palmas", as "twist", as " vibradoras"... Cada um considera a sua melhor que a do vizinho, mas duma forma ou de outra deu-se um grande passo na rapidez da colheita.

Há neste último caso apenas um enorme senão... E prende-se com o convívio, com as longas conversas havidas entre dois ramos repletos, com os risos. Com a maquinaria ganha-se em tempo é certo, mas perde-se na confraternização. A máquina não faz grande ruído mas ainda assim inibe o portador de falar, porque ninguém o ouvirá.

Em resumo quem olha para agricultura de hoje comparada com a mesma há quarenta anos nota mais rapidez, despacho, outra qualidade mas perdeu "glamour", confraternização, solidariedade e acima de tudo paciência... para esperar.

Fim de semana... difícil!

Começou cedo o meu fim de semana já que quinta parti para a minha humilde aldeia. Primeiro para fazer uma surpresa no aniversário do meu pai. Depois para ajudá-lo na colha da azeitona.

Sexta feira saí cedo de casa de forma aproveitar o dia. Mas logo de princípo um ligeiro acidente com uma escada deixou-me marcas físicas visíveis mas não limitativas.

Um máquina nova, própria para colher azeitona, ajudou ao trabalho. E no fim do dia 15 sacos estavam já colhidos em apenas cinco oliveiras.

"Bom trabalho - pensei".

Mas o Sábado previa-se chuviso e quando pela manhá partinnovamente para o trabalho o céu apresentava uma cor plúmbea, carregada.

A chuva principiou a cair já eu estava de alfaia em punho.E não consegui fazer o meu trabalho. Regressei a casa triste e aborrecido. Mas a tarde trouxe-me outra aventura e mais um molha. Numa outra fazenda o mato seco espalhava-se pelo chão. Acabei por conseguir queimar todo o mato.

Após novo banho aproveutei para descansar esperando que o dia de hoje fosse favorável. Azar! Chuvia copiosamente de manhã e deste modo regressei à cidade mais cedo que o previsto,

Enfim... um fim de semana que poderia ter sido trabalhoso mas ao mesmo tempo proveitoso foi somente... difícil!

 

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