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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Responsabilizar quem?

Hoje lembrei-me de uma rábula humorística onde o saudoso Raul Solnado era figura central. Nessa peça televisiva dos anos setenta, logo a seguir ao 25 de Abril, a personagem que Solnado representava era um desempregado que se manifestava com muitos outros na rua e com as costumadas palavras de ordem da época: "Trabalho sim Desemprego não". Um suposto empregador chegava perto de manifestante e oferecia-lhe trabalho. Ao que o outro respondia: "Mas porquê a mim está aqui tanta gente".

Esta entrada leva-me para aquilo que tem sido a filosofia deste país nos últimos 40 anos: uma profunda falta de vontade de trabalhar, ao que se junta uma total fuga para a frente quando os problemas surgem, associada à incapacidade de cada um assumir os seus próprios erros, aludindo sempre ao passado mais ou menos recente para justificar o futuro. Maioritariamente vê-se esta atitude na classe política, toda ele muito preocupada com os terríveis acontecimentos, mas incapaz de fazer ou mandar fazer algo que seja realmente eficaz.

O País continua assim a arder. Hoje acaba aqui para logo começar ali. Extingue-se acolá, reacende-se além.

Os bombeiros andam numa roda viva. Depois, parece que não há uma voz de comando, para além do SIRESP que continua a (não) fazer das suas.

Em 2003 Mação foi vítima dos fogos. Nessa altura falou-se, como hoje se fala, em reordenar a floresta e mais uma série de iniciativas. Resultado 14 anos depois? Novo incêndio com porporções gigantecas.

Em 2005, a aldeia que não me viu nascer mas crescer, foi também vítima de um incêndio de enormes proporções. Uma dúzia de anos passados ainda são visiveís os cadáveres de árvores queimadas, já que ninguém do Parque Natural que envolve a povoação, se preocupou em cortar e limpar.

No meio deste enorme parque de características muitos especiais, o meu pai tem alguns nacos de terra. Que nessa altura do incêndio ficou com tudo queimado. Especialmente oliveiras, azinheiras, medronheiros e pinheiros. O meu pai é neste momento um homem com muita idade, o que originou que algumas dessas fazendas abraçadas pelo fogo fossem mais ou menos despresadas.

No entanto, recentemente tenho sido eu a avançar com trabalho e dinheiro para cortar o mato que cresceu a seguir ao fogo. Neste sentido apresentei um projecto ao PRD2020 de forma a captar alguma ajuda financeira. Ora quem ouviu falar os Ministros da Agricultura ficou a ideia de que agora é que haveria dinheiro para limpar matas e os terrenos semi abandonados. Profundo engano...

Como sempre a demagogia barata venceu e o meu projecto não vai ser elegível. Isto é, já gastei o dinheiro mas não vou ser ressarcido desse gasto.

Entretanto os terrenos à volta do que é meu estão, neste momento, repletos de mato, pois os seus legítimos proprietários não podem ou não querem gastar dinheiro qu eu gastei em algo que nunca será rentável.

Mais uma vez o Estado diz uma coisa todavia a realidade é bem diferente. Cortar mato, recolhe-lo, queimá-lo e depois manter o terreno livre de mais mato custa muuuuuuuuuuito dinheiro. Para dar um mero exemplo, só para o herbicida já gastei mais de 1000 euros. E ainda não está tudo. Falta pagar ainda a mão-de-obra.

Tenho que não caberá ao Estado fazer tudo... mas pelo menos não mintam. Não prometam o que sabem que nunca irão cumprir.

Certa vez ouvi um comentador televisivo dizer: um político que diga somente a verdade nunca ganhará eleições.

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