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LadosAB

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Crónica numa sala de espera

São cinco da tarde. Estou há hora e meia a aguardar que chamem a minha mãe para uma consulta médica. As pessoas vão entrando e saindo conforme vão sendo chamadas.

Entra então um casal. Ele veste umas calças cremes e um pólo a condizer e parece um homem normalísssimo. Como na sala só um lugar vago procura outra sala para se sentar. A esposa é o contraste e fica na sala onde me encontro. Veste uma túnica branca acabada de sair da máquina de lavar roupa, umas calças também alvas e calça umas sandálias rasas.

Senta-se e retira então de um saco uma bisnaga e toca a besuntar as mãos e os dedos com o creme saído e dos quais se destacam uns "cachuchos" enormes enfiados. O cabelo preto, obviamente pintado, contrasta com a roupa. A tez é morena de quem usa a piscina para ganhar alguma cor, e os lábios são finos mas brilhantemente vermelhos. Após a rotina das mãos segue o batom passado pelos lábios como estivesse para entrar numa festa em vez de um consultório. Depois rebusca mais coisas na mala e tira uma espécie de livro de apontamentos e o telemóvel. Assisto então, entre o divertido e o pasmado, ao seguinte diálogo:

- Boa tarde! Tenho uma cadelinha com uma... (disse a doença!) e necesssito de uma consulta para ela, urgentemente. O Dr. R... não é ortopedista?... Pois é esse mesmo... Necessito urgentemente de uma consulta.

Tudo isto foi dito num tom de voz que muitos homens não têm e com uns décibeis altamente nocivos para os ouvidos dos presentes. Mas regressemos ao diálogo:

- Sexta feira próxima? Não posso! Não vou estar cá. (A consulta era urgente, a princípio!)

A chamada parece ter-se desligado. Tenta mais uma vez mas parece que ninguém a atende.Finalmente:

- A chamada caiu... 

Combina a dita consulta. Liga novo número:

- Tá J... preciso que me dê os nomes dos comprimidos do Dr - supus que o tal doutor fosse o marido, naquele instante longe da esposa espalhafatosa e provavelmente muito descansado.

- Como? Ésse, ipsilon, éle, não é éle... ah éfe, sim... - e vai escrevendo no seu bloco notas.

O tom de voz mantem-se mavioso... Todos os presentes e quiça alguns ausentes no andar inferior, vão começar a saber quais os medicamentos... Depois passou para o que irá ser o jantar pois continua a falar num tom muito acima do que é normal. Desliga finalmente o telefone e já se consegue ouvir a televisão pendurada na parede.

De súbito levanta-se, procura a assistente e após breve diálogo, desta vez e curiosamente em tom baixo, parte deixando o marido sozinho.

Nunca mais vi tal personagem.

Entretanto a minha mãe foi chamada!

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