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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

História dos nossos incêndios

O título sugere que fale aqui de outros grandiosos fogos que deflagraram em Portugal nos últimos anos, porém não é esse o intuito deste texto.

Deste modo recuemos meio século nas nossas vidas. Olhemos para o país dessa altura como se tivéssemos num aparelho como aqueles que agora invadem os nossos ares: um drone.

O que veríamos? Muita pouca floresta, imensos campos cultivados fossem de semeadura ou simplesmente de pastoreio. O povo acordava cedo e cedo pegava na enxada, gadanha ou foice e calcorreava caminhos para cortar a erva, ceifar as searas, mondar as batatas ou o milho. Lembro-me, a título de mero exemplo, do meu falecido avô ter cavado uma fazenda alcatifada de pedras, numa dúzia de dias, para aí depois lançar semente à terra. Sem dúvida outros tempos!

Mas um dia Portugal achou que era tempo de se modernizar. Dos portugueses serem todos iguais, vivessem na cidade ou no campo. De terem mais direitos.

E o país cresceu, desenvolveu-se e em muitas aldeias onde a água, só existia a do poço retirada à força de braços e a luz, a que a lamparina de azeite oferecia, passou a haver luz no tecto e água nos canos. O lume da lareira que cozia as couves e as batatas em viúvas panelas de ferro, foi naturalmente substituído pelo gás de bilha.

Foi a loucura da evolução. Só que…

As pequenas matas onde se recolhia a lenha para a tal lareira deixaram de ser limpas. Depois o velho forno onde era cozido o pão ou a broa, de quinze em quinze dias, deixou de trabalhar porque alguém passava com a carrinha com pão quente todas as manhãs, acordando muito cedo a aldeia. Ora deixou então de ser necessário semear trigo, milho ou o centeio.

Em pouco tempo as matas cresceram exponencialmente. A título de exemplo uma fazenda onde hoje (ainda) existe um pinhal, foi durante muitos anos terra de semeadura e deu centenas de alqueires de milho e trigo, durante dezenas de anos.

O povo aldeão, essencialmente o mais novo, começou então a procurar nas vilas e nas cidades mais costeiras novas formas de rendimento. E diziam quando de lá vinham: em Lisboa é que é vida.

Iniciou-se assim o abandono das terras. Os pais ficavam, mas os filhos partiam. A idade, as doenças e aquela pensão que nunca imaginaram receber obstaram entretanto a que os terrenos continuassem a ser amanhados. Não havia necessidade.

E a floresta a crescer. Desordenadamente!

A terra já não dá milho nem trigo mas dá madeira. E muita e bem paga… e sem trabalho. Nascem assim os eucaliptais e os pinhais bravios. Estes alastram-se desmesuradamente. Até aos dias de hoje.

O mesmo drone que planou no nosso passado, referido acima, deixou agora de ver campos semeados, verdes ou doirados, somente enormes manchas de arvoredo que paulatinamente se estão a transformar em manchas de carvão.

Portugal soltou-se de ser um país essencialmente agrícola, como o fora durante séculos, para se tornar um paraíso em prestação de Serviços. Esplêndido… observaram muitos!

Estamos a pagar por isso.

Pela forma como a nossa classe política nunca olhou para este problema com olhos de ver. E sempre empurrou com a barriga o problema.

Pela forma como tantos técnicos especializados afirmam o que está errado e ninguém os ouve.

Pela forma como o factor climatérico evoluíu negativamente sobre as nossas terras.

O custo de tudo isto começou o país a pagá-lo faz muito tempo, mas este ano o preço, infelizmente, está pela hora da morte.

Obviamente de gente inocente!

O Inferno existe!

Agora, muitas horas depois dos trágicos acontecimentos em Pedrogão Grande, consigo finalmente escrever algo mais sobre estes incêndios no centro do País.

Por aquilo que tenho assistido nas televisões, que hoje me obriguei a ver, pelos depoimentos das vítimas, pelas declarações de bombeiros, descobri que o Inferno existe e está (ainda) presente naquela zona de Portugal.

Este incêndio, ao que escutei, começou de forma natural, se uma trovoada seca for só por si algo natural! Depois foi o que se sabe e o número de vítimas, infelizmente, não pára de subir.

Muito se falará nos próximos dias sobre o que aconteceu, sobre o que poderia ser evitado, sobre o tipo de floresta que Portugal tem, sobre tanta coisa… mas daqui a um mês já ninguém quer saber. É (quase) sempre assim.

Restarão os que sobreviveram para contar estas tristes memórias, sem bens, sem meios, sem animais, sem forma de subsistirem. Mesmo com as campanhas solidárias, que já começaram a surgir, dificilmente a maioria das vítimas, que sairão desta tragédia, conseguirá refazer a sua vida.

O drama dos incêndios em Portugal continua, todos os anos, a fazer vítimas. Este ano prima pelo número infeliz de vidas humanas que foram atingidas de uma só vez. Não tarda nada que os governantes deste Portugal, venham publicamente dizer que vão disponibilizar verbas para ajudar os agricultores no tratamento dos terrenos altamente combustíveis devido à floresta lá naturalmente implantada. Como sempre fazem nestas alturas!

Mas digo eu, daqui deste espaço que ninguém vai ler, que se o afirmarem será profunda demagogia. E mentirão com quantos dentes têm na boca.

Portanto meninos da “geringonça” ficarei atentamente à espera das futuras declarações! Porque o Inferno existe mesmo!

Perguntem aos desgraçados em Pedrogão Grande!

Nem sei que dizer...

...Nem o que escrever!

Neste momento nada vale o que qualquer um de nós, longe do inferno Dantesco que se viveu e ainda vida em Pedrogão Grande, possa eventualmente pensar ou sentir.

Mais uma vez o pinhal como combustível com a mãe Natureza a ser a incendiária.

Estou profundamente triste.

Uma pessoa luta a vida inteira para ter algo e num segundo tudo perde... Até a própria vida!

 

 

Decididamente... tropical!

Estou em módulo... derreter. São quase onze da noite e está um calor lá fora, quase irrespirável.

Abençoado dinheiro que gastei em aparelhos de ar condicionado. De outra forma esta noite dormiria na banheira repleta de água fria.

E depois ao fim da tarde... choveu! Alguém percebe este tempo?

Dizem que em África é assim!

O futebol luso e as telenovelas mexicanas

Todo o mundo do futebol luso tem consciência de que a corrupção, o tráfico de influências, a mentira, a lavagem de dinheiro, as apostas estranhas, são partes integrantes deste universo futebolístico mais ou menos acobertado pela imprensa desportiva e obviamente por (quase) todos os diferentes elementos do futebol.

Diz o povo que “zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades”. Nada melhor que este adágio para espelhar o que ultimamente temos vindo a assistir no que diz respeito ao futebol sénior.

O FCPorto apresentou mails denunciando uma trama urdida, de forma a beneficiar o Benfica nos jogos da primeira liga. Este por sua vez disparou contra, pedindo a reabertura do Apito Dourado.

Temos então que dois clubes representativos do futebol nacional iniciaram uma guerra de contornos pouco saudáveis e resultados imprevisíveis (ou talvez não!). Ora num país onde a justiça desportiva REALMENTE existisse, aqueles clubes, e provando-se as tais tramas, deveriam passar a militar em divisões mais baixas, a exemplo do que aconteceu à Juventus em Itália. Só assim o futebol português ganharia alguma credibilidade.

No entanto cheira-me que esta recente polémica serve unicamente para desviar as atenções do que me parece essencial e que se resume em cinco palavras: ambos clubes estão falidos. Provavelmente um mais que outro, mas mesmo assim ambos continuam a gastar mais do que aquilo que têm.

E claro, como nisto de correr mal ninguém gosta de estar sozinho, eis que surgem notícias sobre eventuais investigações à transferência de jogadores para o Sporting.

O futebol português está podre. Há muuuuuuuuuuuuito tempo.

Se a UEFA meter o bedelho nesta história nem imagino as consequências.

Esperemos por novos episódios, à boa maneira de uma qualquer telenovela mexicana.

 

Também aqui

O homem que derrubou o Muro

Será uma das figuras da história do século XX. Daquelas positivas, das que marcaram a história europeia e mundial.

Helmult Köhl faleceu hoje aos 87 anos.

Foi ele o grande obreiro da União Europeia na forma como está hoje constituída. Um estadista ao nível de De Gaulle, de Miterrand, Margaret Thatcher ou Olof Palme.

Grande amigo de Portugal, o gigante ex-chanceler alemão será sempre uma figura controversa na política europeia. Não só por estar intimamente ligado à unificação das duas Alemanhas, como ainda estar associado a um escândalo político que o envolveu directamente e ao seu partido.

O mundo ficou ainda assim (muito) mais pobre...

 

h_kolh.jpg

 

Lição aprendida

Hoje andei com um armário às voltas. Lá de dentro retirei uma enormidade de velhos cd's com músicas e cantores fantásticos. E revisitei mentalmente muitas das canções que eles continham.

Havia discos que nem imaginava que tinha.

Passou-me na altura pela cabeça, a imbecil ideia de usar uma dessas plataformas tão usuais e vendê-los a todos, já que a música é agora servida via internet sem limitações e com acesso a (quase) tudo, libertando assim muito espaço.

Mas depois aterrei e achei que seria melhor ficarem por ali, guardados sem serem escutados, mas ainda assim são meus.

Lembrei-me que há uns anos vendi muitos dos meus discos de vinil... e não imaginam como ainda me sinto hoje sem eles.

Alguns eram autênticas preciosidades.

Pelo menos desta vez a história não vai repetir-se.

 

Grande incêndio em Londres.

Outra vez?

Já em 1666 grande parte da capital inglesa foi destruída, após um incêndio ter iniciado numa velha padaria.

Anos mais tarde erguer-se-ia uma coluna com 61 metros de altura - The Monument - que é igual ao número de metros do local onde teve início o incêndio, para relembrar esses sinistros três dias de Setembro e a reconstrução da cidade.

Agora foi num segundo piso e alastrou rapidamente ao restante edifício. Nos tempos que correm parece-me coisa realmente muuuuuuito estranha...

Após terem incendiado a Europa com o Brexit foi a vez de um prédio na cidade Londrina.

Imparáveis.

 

 

Quadras a Santo António de Lisboa

Ó meu querido Santo António

Padroeiro da minha cidade.

Não te peço grande génio

Só quero metade da idade.

 

És santo e casamenteiro

Diz a velhinha tradição

Não te esqueças companheiro

Que quem manda é o coração

 

Em Pádua também és adorado

Como santinho milagreiro.

Só te peço antepassado

Que não me falte o dinheiro.

 

Termino estas pobres quadras

Dedicadas ao Santo franciscano

Aventurei-me nestas estradas

De poeta das palavras, cigano..

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