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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Os "Navegadores" não passaram o Cabo da Boa Esperança

Acabou-se a aventura Africana para a selecção Nacional, tal como eu tinha previsto. Por motivos diversos não vi o jogo. A Espanha ganhou por um mas podiam ter sido mais, pelo que me apercebi por alguns comentários na televisão e rádios.

Falhei o resultado final mas não a consequência.

Mas nem tudo é mau. As cornetas deixaram de se ouvir e para tudo ficar bem mais sossegado basta que o Brasil saia na próxima paragem. De resto tudo igual. Quando se ganha o mérito é de todos, quando se perde o demérito é exclusivo do treinador. À boa maneira lusa...

 

Parece-me que a filosofia de requisitar jogadores para a selecção não me parece ser a melhor. À selecção deviam ir só jogadores interessados em representar o país e sem receber nada em troca. Só assim haveria verdadeiro espírito de grupo.

Portugal necessita de alguém que ponha os dirigentes desportivos (especialmente do futebol) na ordem. Há demasiados interesses à volta do fenómeno desportivo, nos quais ninguém quer mexer.

 

A Inglaterra saíu também para casa mais cedo do que calculava e a França e a Itália (campeã do Mundo em título) ainda partiram antes. Portanto alegrem-se que daqui a pouco está aí a liga portuguesa com mais um campeonato dos túneis.

 

Ah a Argentina vai ser a campeã do Mundo.

A noite de todos os medos.

Amanhã Portugal jogará com a Espanha no Mundial da África do Sul o jogo de acesso aos quartos de final. Conhecendo eu bem o espírito português, Portugal vai sair já amanhã do Campeonato. Não é que não tenhamos equipa para nos batermos contra os nossos vizinhos ibéricos, mas acontece que nós temos algo que deita por terra todas as nossas esperanças num bom resultado: o fatalismo luso.

Este fantasma que vai minando os nossos atletas e até a nossa sociedade é fruto de uma postura demasiado subserviente em relação a Espanha e que remonta aos anos trinta do século passado. Nesse tempo Salazar e Franco andavam de braço e mãos dadas sendo a preponderancia dos espanhóis muitíssimo maior que a dos portugueses em Espanha. Daí este nosso medo e falta de confiança em nós mesmos.

 

Pode ser que me engane, mas não creio. Um palpite do resultado: Portugal perde 3 a zero.

 

Amanhã por esta hora saberemos!

 

 

José Saramago

Uma amiga minha, assim que soube do falecimento do Prémio Nobel escreveu no Facebook a seguinte frase:

 

"A minha alma está de luto... perdeu-se O escritor."

 

Se fizesse da escrita o meu ganha-pão ficaria obviamente ofendido com esta citação. E colocar-lhe-ía a seguinte questão: Só é escritor quem ganha um Prémio Nobel?

 

Obviamente que eu entendi o que a minha amiga pretendeu dizer, mas as palavras, por vezes, são tão perigosas... Mesmo as mais ingénuas. E há quem se ofenda... O que não é o meu caso. Mas regressando ao falecimento de José Saramago tive pena da sua morte, como ser humano que era, mas nunca reconheci que a sua obra justificasse tamanho galardão da Academia Sueca. Outros das letras houve que, na minha modesta opinião, mereciam mais. São os casos de Sophia de Mello Breyner, Lídia Jorge, José Cardoso Pires, Virgílio Ferreira... e outros.

E nunca chegaram a tanto.

José Saramago foi naturalmente um grande escritor, mas era ao mesmo tempo uma personagem controversa e de contradições evidentes. Mesmo dentro da sua área política.

 

E o pouco que li dele nunca me cativou. Gostos!

 

Morreu no dia 18 de Junho de 2010 e provavelmente este ano passar-se-á a chamar: O ano da morte de José Saramago!

 

 

 

Selecção Nacional de Futebol e José Mourinho

 

Antes do jogo de amanhã da Selecção Nacional vou manifestar a minha opinião sobre o tema dos novos "Infantes".

 

Não sou um "velho do restelo" mas há coisas pelas quais eu não luto nem me revejo. É obviamente o caso desta selecção. Perguntar-me-ão porque sou tão céptico? Ora bem, este cepticismo prende-se como algo que os portugueses geralmente não têm quando em confrontes com outras equipas e que se chama auto-estima. Ou, quando a têm, é tão baixa que não serve rigorosamente para nada. Ora vejamos: em 1966 Portugal perdeu com a Inglaterra, nas meias finais, quando podia perfeitamente ter sido campeão Mundial. As outras seleções não eram melhores! Mas nessa altura a nossa posição na Europa valia zero e tudo o se conseguiu foi um honroso 3º lugar. Após uns anos de travessia do deserto lá chegou 1984 e o Europeu em França. Uma equipa com três treinadores e mais um 3º lugar muita por culpa da dificuldade que a equipa portuguesa teve em lidar com a eventual vitória (recorde-se que estivemos a ganhar por duas vezes à França e acabámos por perder por 3 a 2), Nos anos 90 o actual treinador da Selecção catapultou uma equipa de miúdos para a ribalta e fez com que a nação acreditasse que podíamos ganhar qualquer coisa. Vieram Mundiais e Europeus mas o melhor que a equipa das Quinas conseguiu foi um modesto segundo lugar no Europeu 2004, curiosamente organizado por Portugal, quando podíamos ter sido campeões. E nessa altura já muitos dos jogadores da geração de 90 estavam em declínio. Mas se somarmos tudo, dá algo de muito estranho. É que a selecção Nacional tem capacidades naturais para muito mais mas falta-lhe algo... É um "quase campeão" permanente (onde é que eu já ouvi isto!!!!).

 

É aqui então que entra José Mourinho! Como já escrevi noutros escritos tenho um especial apreço por este Setubalense. É um atípico português. Só pensa em ganhar. Acredita que é capaz, luta pelos seus objectivos e finalmente consegue os intentos para que foi contratado. É alguém que sabe que para vencer não basta jogar bem. É necessário ser-se pragmático e felino.

 

Eu acredito que Portugal poderá vir um dia a ganhar alguma coisa, mas só com o JM como treinador e seleccionador nacional. Com ele não há lugar para os derrotados antes do jogo. O primeiro intuito é ganhar, só ganhar. Depois, e se houver tempo e espaço para isso, jogar bem.

 

Posto isto amanhã iremos ver uma selecção que não tendo os melhores jogadores dos últimos anos poderia fazer um belo campeonato e lutar por um lugar ao sol, se para isso fosse preparada, mas encontra-se recheada de medos e traumas e não consegue libertar-se deles. Infelizmente. 

 

Prognóstico para o resultado final de amanhã: 0 a 0!

Resposta ao Rei Bacalhau

O Blog www.Reibacalhau.blogspot.com deu-me o seguinte mote: Um assassino que matava pessoas nu. Entretanto publicou na sua página um texto debaixo desse tema.

Hoje é a minha vez de responder com o conto que segue:

 

O “Assassino Nu”

Era uma daquelas noites geladas próprias de um Inverno rigoroso. O vento soprava brando mas suficiente para arrefecer quem àquela hora deambulava pela rua. Não havia abafos que chegassem para tapar tanto frio. As luvas eram insuficientes e o cachecol apenas amenizava a friagem.

Olhei o relógio de pulso e confirmei o meu palpite:

- Duas e meia.

Se bem que estivesse numa zona de passagem de diversos transportes públicos, ainda assim o movimento era quase nulo àquela hora. Mas também não me apetecia estar em casa a olhar para a televisão ou no mínimo a ver pornografia na net e o sono era escasso. Desde que o chefe Arcílio me atirara para as mãos este caso, nunca mais tivera descanso. Cinco mortes em menos de duas semanas e todas perpetradas naquela praça. E agora ali estava eu à espera de alguém com intenção de matar outrém.

Do caso não havia pistas nem testemunhas. As vítimas não tinham qualquer relação umas com as outras, apenas a coincidência de passarem por aquele local a horas tardias. Três mulheres e dois homens: uma secretária de administração que devido a trabalho excessivo saíra demasiado tarde, uma prostituta que por aqueles lados procurava algum cliente e uma jovem estudante de engenharia que estivera até tarde num bar com amigos a comemorar o fim do curso. Os homens eram um sem abrigo e um segurança de uma empresa que acabara o turno.

As vítimas apareceram todas degoladas de um só golpe, conforme opinião do médico legista, o que demonstrava destreza e força conquanto as senhoras fossem mais fracas, os homens eram pujantes, mesmo o sem-abrigo.

A praça era relativamente bem iluminada, especialmente ao centro onde alguns projectores incidiam os seus focos numa estátua. De volta alguns edifícios do estado e outros prédios onde se encaixavam diversas famílias. Era na entrada de um desses casarios que me encontrava á espera de não se de quê e muito menos de quem. Apeteceu-me um cigarro. Andava a tentar deixar de fumar havia semanas mas sem efeito. Meti a mão ao bolso saquei do maço, retirei o cilindro branco e levei-o à boca. Com o isqueiro tentei acender o cigarro mas a brisa mesmo ao de leve não autorizava. Após diversas tentativas sem resultado, acabei por virar costas à praça e finalmente acendi o paivante.

Quando me virei novamente para a praça vi o que jamais esquecerei. Na minha frente a um metro de distância estava um homem completamente nu. Uma enorme arma branca em riste ameaçava a minha integridade física. Surpreso mais que temeroso fui dizendo:

- Ei, ei. ei, calma aí o que é que se passa?

Perante a questão o meu antagonista aproximou-se de mim ainda mais e pude ver que os seus olhos eram claros, muito claros. Tinha um olhar exangue, quase lunático. Desprovido de qualquer pêlo de alto a baixo, acima de tudo o que me admirei é que ele não parecia ter frio naquela noite tão gelada. Depois encostou o fio da enorme faca ao meu pescoço e perguntou-me:

- O que fazes aqui a esta hora?

A voz dele era rouca. Não sei se de propósito ou natural. Carregou ligeiramente no erre o que me fez pensar que seria de Setúbal. Mas poderia ser também um disfarce. Logo calculei que este seria o assassino das outras cinco vítimas e que claramente não sabia que eu era polícia. Porém a minha vida dependeria da minha resposta. Debaixo do casaco tinha a minha arma mas não sabia como lá chegar. Breves segundos para decidir.

Calmamente como se ele não estivesse armado puxei duma passa do cigarro aspirei o fumo e expeli-o vagarosamente. Depois respondi:

- É pá eu sou como tu… Não tinha sono e apeteceu-me vir para a rua fumar um cigarro e apanhar frio… Sabes como é a vida… Um tipo mata uma data de gajos e gajas e ninguém dá valor… É uma porra…

Enquanto falava fui tentando arranjar posição, primeiro para escapar ao cerco especialmente ao enorme facalhão que sentia junto á minha jugular, segundo para poder chegar á minha fusca. De súbito vi os botões das campainhas das casas e sem que ele percebesse encostei as mãos às campainhas. Durante a noite reparara que sistema não tinha microfone nem altifalante e assim se eu tocasse insistentemente o mais provável era alguém descer as escadas para refilar.

Mas ele percebeu a marosca encostou mais a lâmina e avisou-me:

- Larga a campainha, já!

- Ok, ok! Desculpa nem percebi…

Ele insistiu:

- Que fazes aqui a esta hora?

Percebi que ele não entendera a minha resposta. Mudei de táctica:

- Não digas a ninguém mas ando fugido da minha mulher. Ela quer-me lá em casa mas eu já não consigo aturá-la.

Pela primeira vez viu-o arregalar os olhos e abrandou o encostou da arma. Nem esperei por nova pergunta. Continuei:

- Soube que mataram cinco pessoas aqui. Estava a ver se via o tipo ou a tipa que fez isso para combinar com ele para matar a minha mulher. Já não a aguento… É um martírio viver com aquela bicha…

Respirei fundo e aguardei os momentos seguintes. De súbito ele recuou ficando fora do resguardo da entrada do prédio e olhou para os dois lados. Levei novamente o cigarro à boca e nesse instante ele desapareceu.

Num ápice consegui pegar na arma e corri atrás dele. Mas ele era muito mais rápido que eu e num instante desapareceu nas ruas e na noite.

Refeito do susto peguei no telemóvel e liguei para o meu gabinete. Ao fim de uma dezena de toques alguém atendeu:

- Tou, quem fala?

Conheci a voz e respondi:

- “Pulgas” é o Patrocínio. Já sei quem matou estes gajos aqui na praça…

- Quem é?

- Não sei como se chama, mas anda completamente nu.

- Nu?

- Sim nu. E com este briol imagina… Ele atacou-me mas não sei porquê fiquei vivo para poder contar.

- E ele fugiu?

- Sim escapou por entre as ruas da baixa. Era muito mais rápido que eu. Mas amanhã estou aqui outra vez.

- Queres que mande para aí uma patrulha?

- Não deixa estar. Amanhã vai ser outra noite.

Na noite seguinte lá estava eu à mesma hora, com a mesma roupa aguardando um assassino nu. O chefe queria que eu trouxesse apoio, mas eu recusei. Se tinha escapado da primeira vez mais facilmente escaparia agora. Mas o “Assassino Nu” não veio. Voltei na noite seguinte mas também não tive sucesso. Só à quinta noite voltei a vê-lo. Desta vez estava preparado para o receber. A minha mão achava-se enfiada no bolso esquerdo que escondia a pistola. Na direita ardia o cigarro. Fiz-me de distraído quando ele me abordou. Vinha completamente despido, descalço e sem qualquer penugem. Não sei se ele me conheceu mas carregou na mesma questão:

- Que fazes aqui a esta hora?

Regressei à última táctica:

- Estou à espera de alguém capaz de matar a minha mulher.

- Ela está aqui?

- Não tá em casa a ver a telenovela. Porquê?

Aproximou-se mas quando se chegou junto a mim percebeu a minha pistola dissimulada no bolso. Recuou e escondeu a faca nas costas e lançou:

- Sabes quem matou as outras pessoas?

- Eu não? Tu sabes?

Ele riu-se mostrando uns dentes muito brancos. Depois esgrimiu a faca à minha frente e confessou:

- Fui eu… Com esta menina.

Eu não queria desapontá-lo. Percebi que ele já não me mataria, por enquanto, e assim tentei esticar a corda:

- Então és tu que me podes ajudar a matar a minha mulher?

- A tua mulher, a tua sogra… quem tu quiseres. Até a ti - acrescentou.

- Hum isso é interessante. E quanto é que isso me vai custar?

- Nada eu faço-o por prazer. Mato porque gosto…

- Então escuta…

                                                                    XXX

No dia seguinte muito cedo tocou o meu telemóvel. Era o “Pulgas”:

- Que foi meu? Sabes que horas são?

- É pá desculpa…  Mas é para te dar uma má notícia.

- Que foi?

- Mataram o Arcílio.

- O Chefe?

- Sim, foi degolado!

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