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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Natal de 2009

Actualmente os dias passam a uma velocidade estonteante. Há muitos anos, desejava que o tempo corresse assim, agora prefiro que ele (o tempo) se desenrole calmamente. Ainda há poucos dias gozava o Natal de 2007 e já estamos com um Natal novinho em folha, pronto a ser consumido pelos laços, prendas, cartões de Boas Festas, sms's e mms's, mails e telefones, um ror de tecnologia e não só.

Mas este ano foi um daqueles que não dá para esquecer. A crise que alastrou a todo o mundo, é sentida em Portugal duma maneira muito mais vincada criando um fosso ainda maior entre os que têm muita coisa  e os que lutam por alguma coisa, por muito pequena que seja. Neste Natal já não pretendo prendas, daquelas enormes, que ocupam meio mundo, preferindo aquelas muito pequenas mas carregadas de carinho e alegria. Neste Natal prefiro a água fresca que jorra com fartura da fonte às garrafas de vinho premiadas e exageradamente caras. No Natal desejo a mézinha secular que me cura a constipação aos comprimidos de uma qualquer multinacional farmaceutica.

No próximo Natal já nem sei o que quero.

Se calhar gostava apenas que todos tivessem Natal, mesmo que pequenino. Todavia este desejo jamais se realizará... Infelizmente.



A Vida e Morte de um Homem

 

A vida e a morte foram, desde sempre, temas muito sensíveis e discutidos, geralmente com conclusões tão diferentes, que quem as lê fica com a sensação de que todos (ou nenhuns) têm razão naquilo que afirmam. Hoje é a minha vez de opinar sobre algo que todos sabemos o que é mas evitamos falar, como se falar da morte nos tirasse tempo de vida.

A vida é para ser vivida cada segundo, cada minuto, cada hora, com a alegria de uma dádiva que Deus nos dá. E a morte não deve ser tida como o fim de tudo mas apenas o início de um outro caminho, naturalmente diferente mas partilhado por todos, seja qual for a sua condição.

Trago este tema a lume, porque há bem pouco tempo assisti à morte de alguém muito querido. E a sensação com que fiquei na altura não foi de tristeza, mas sim de algum alívio, porque percebi que partir para essa viagem nada tem de doloroso bem pelo contrário.

Quando nascemos a vida vai-nos dando sinais. E nós, se formos minimamente inteligentes vamos aproveitando as lições de vida para a vivermos duma forma mais feliz. Porque sabemos de antemão que a morte está sempre certa. Não sabemos quando nem de que forma, mas temos perfeita consciência dessa partida.

Ora quero com isto dizer, que este meu amigo, que faleceu no passado mês de Outubro foi um homem feliz. E partiu em paz (o que nos dias de hoje, não é frequente, para não dizer raro). A poucas horas de perecer, este companheiro teve para comigo um gesto de despedida. Deitado no leito conseguiu levantar o braço e envolver-me nesse abraço, sem qualquer palavra, apenas como se quisesse dizer: Obrigado!

Quando o vi partir rodeado de todos quantos o amaram e de por quem ele nutria profundo carinho e ternura, achei que morrer assim só podia ser obra de Deus. Era também desta maneira que eu gostava de abalar. Serenamente como uma vela à qual se acaba o pavio. Pacificamente como a brisa leve dum fim de tarde, em pleno Verão.

A vida vivida com paixão e ardor, passou para a história dos que cá ficaram ainda e que com ele conviveram e partilharam essas emoções. As alegrias e as tristezas por ele sentidas são agora meras recordações desse velho baú que é a alma humana.

A morte assim faz realmente sentido. Não chorei, não carpi daquelas mágoas dilacerantes quantas vezes usadas na morte de alguém querido. Sinto falta dele, isso sinto. Era um companheiro e aprendi muito com ele. Mas também sei que neste momento, lá onde estiver, olhará e velará por mim até que um dia lhe vá fazer também companhia.

A doença que o vitimou não foi só um teste à sua capacidade de aceitar aquilo que Deus lhe deu, mas uma prova partilhada por todos quantos com ele viveram os seus derradeiros dias. Nada lhe faltou, companhia, ternura, carinho, solidariedade e acima de tudo amor. Mas amor sem contrapartidas daquele que se dá sem pedir nada em troca. O mais belo de todos…

Este texto é uma homenagem singela, se bem que póstuma, a um Homem, que na sua vida, no infortúnio e na riqueza, na tristeza e na alegria e finalmente na morte, soube ser sempre digno e corajoso.

 

Ainda o 1º de Dezembro…


 


 


 


Se me perguntassem se sou monárquico ou republicano o que responderia? Assim de supetão, não sei. Quando nasci já a República existia havia muuuuitos anos. É a mesma coisa se perguntasse a um dos meus filhos se eram a favor ou contra a ditadura?


Os acontecimentos já passaram há tanto tempo que eles provavelmente diriam que preferiam a democracia tal como eu respondia à primeira questão: a república.


Mais calmamente e ruminando alguns pensamentos, à pergunta sobre qual a minha preferência de regime para o nosso país diria provavelmente o seguinte:


Reconheço que a democracia aparecerá mais de acordo com a vontade do povo. Este pode optar entre diversos candidatos conforme as bases programáticas que cada político apresenta, enquanto um Rei é uma figura um tanto emblemática que representa o seu povo por razões de herança e não por eleição. Mas nestas novas sociedades, muitos dos jovens candidatos a reis por essas monarquias europeias, são preparados desde crianças para assumirem as rédeas de um país. Temos como exemplos o príncipe Filipe das Astúrias na nossa vizinha Espanha ou o príncipe William
em Inglaterra. Tanto um como outro foram educados a saberem ser Reis em democracias no século XXI. Isto quase parece obsceno, falar de democracia e monarquia mas pelo que se tem visto por esses reinos europeus tudo é perfeitamente possível. Para Portugal, o rei, sempre era menos uma preocupação para ir votar:


- Manel, hoje temos de ir votar – diz a Maria enquanto estende uma roupa na varanda.


- Outra “bez”! Ainda há uns meses lá fomos… E agora “boto” em quem?


- Naquele que gostares mais, é pra “Prejidente” da Republica – responde novamente a mulher.


- Oh se fosse um rei nada disto era “prexijo”.


 


Pois é, mas a verdade que de vez em quando vamos lá botar o nosso voto. E se não tivesse havido o tal 1º de Dezembro?...



Dia 1 de Dezembro...

Ontem à noite perguntava-me um dos meus filhos, em tom de brincadeira:


- Será que hoje também é feriado em Espanha?


A primeira reacção foi rir da questão. Mas depois lembrei-me de outra coisa: se o que é hoje o território português fosse tudo Espanha, então também os espanhóis teriam como primeiro-ministro o “nosso” Engenheiro Zézito. Ora perante o que se tem podido observar nestes últimos anos no que diz respeito à governação/evolução do nosso país, provavelmente também os espanhóis farão do dia 1 de Dezembro um dia feriado. Não será pelas mesmas razões obviamente, mas um feriado é sempre um feriado.



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