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Espaço de reflexões, opiniões e demais sensações!

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Branduras de Santos Populares

Há uns anos fui passar férias ao Algarve, como qualquer bom português que se preze.

Os meus miúdos eram pequenos, a escola havia acabado e o preço do alojamento mais barato. Assim aproveitei o final de Junho e início de Julho para gozar 15 dias de férias no "reino dos Algarves".

Cheguei a um sábado e logo nesse dia tentei inteirar-me da logística do local no que respeita a refeições já que estava preparado para confeccionar no apartamento.

Soube que o pão era vendido à entrada do empreendimento turístico de manhã cedo. No dia seguinte que era Domingo e levantei-me para ir buscar o dito pão. Ao portão encontrei diversas pessoaas que aguardavam também o padeiro.

O dia acordou sombrio, triste, cinzento. Se bem que não estivesse frio, estranhei aquela frescura da manhã. A carrinha apareceu e lá comprei o pão que achei suficiente. Mas tive de perguntar maiss a brincar que a sério:

- Mas que tempo é este aqui no Algarve? Vem uma pessoa de tão longe para passar férias ao Sol e apanha este tempo.

O padeiro teve logo resposta:

- Isto é a brandura do S. Pedro que é para apanhar os tremoços.

E partiu sem dizer mais nada.

Como sei a forma de colher os tremoços percebi automaticamente aquelas palavras.

Curiosamente lembrei-me este fim de semana, daquelas palavras algarvias, tal esteve o tempo por aqui!

Só que desta vez a brandura não foi do S. Pedro mas do S.João!

Isto é normal?

Estar deitado na praia e à chuva?

Foi o que me aconteceu hoje. O céu plúmbeo adivinhava borrasca. E ela veio em forma de uma chuva, que não sendo grossa... incomodava.

Vi muita gente partir do areal. Nós ficámos. E resistimos.

Veio depois o Sol quente e novamente a chuva. Desta vez em simultâneo.

Decididamente este tempo já não é como antigamente.

Noite de cinema!

Havia alguns tempos que não ía ao cinema. Os dias têm sido longos, chatos, preocupantes e deste modo decidi ver algo que fosse engraçado sem ser demasiado infantil.

Ora em cartaz e dentro destes pressupostos só havia o "Pirata das Caraíbas" já na sua quinta sequela. Relembro que o primeiro filme desta série, com o título "A Maldição do Pérola Negra", remonta ao ano 2003. Parece que foi ontem!

Entretanto o filme de hoje não roda tanto à volta do pirata Jack Sparrow (Jonnhy Depp) como seria de esperar, mas do que a sua personagem representa. Este espécie de episódio cheirou, deste modo, ao desmanchar de uma feira.

O "Pérola Negra", navio do pirata mais conhecido do cinema e que estava amaldiçoado dentro de uma garrafa, libertou-se desta, assim como Will Turner fora outrossim amaldiçoado e foi o filho que neste episódio libertou o pai da maldição. E claro outras maldições.

Mais um filme repleto de acção que, acima de tudo, entretem.

Era somente disso que necessitava esta noite.

Tela humana ou dar sangue não é fixe?

Um destes dias um boa amiga comunicava-me que havia sido tela para uma tatuagem.

Na nossa troca de mensagens perguntou-me o que achava da sua opção. Eu disse-lhe que achava engraçado embora eu jamais o fizesse.

Ela acabou por escrever um texto no seu blogue que até foi destacado e portanto a nossa conversa acabou aqui. 

Hoje tive que ir a uma consulta e apanhei o metro por ser obviamente mais rápido de chegar. Muitos turistas como agora é usual, muita juventude e obviamente muitos idosos. Uma miscelânia que é actualmente comum ver-se na nossa cidade.

Mesmo assim acabei por me sentar. Sem muito com que me preocupar até chegar ao destino fui-me actualizando com as notícias. O metro pára numa estação onde sai e entra muita gente. Uma jovem vem então sentar-se a meu lado. Tem um aspecto fresco, saudável e carrega uma mochila que aparenta ser pesada.

Por fim reparo que tem os braços repletos de diversas tatuagens. Está também ligada ao telemóvel e vai-se rindo, provavelmente com as mensagens que vai trocando.

Este é o cenário... Segue agora o meu pensamento.

Pelo que sei, quem tem tatuagens não pode ser dador de sangue. Nunca percebi porquê, mas não pode. Assim ao olhar para a mocita tão engraçada e com aspecto tão saudável perguntei a mim mesmo como alguém prefere usar a sua pele como tela para uma tatuagem, a ter que dar sangue, tão necessário a tanta gente?

Creio que as campanhas de dádiva de sangue tão frequentes também deviam esclarecer isso. Porque há provavelmente quem não saiba e continue a tatuar-se pensando que poderá num futuro ser doador.

O meu epílogo!

Daqui a muuuuuuuuuuuuitos anos, quando Portugal for um imenso deserto e alguém observar fotografias e filmes dos últimos acontecimentos, perguntará:

- Como deixaram que isto acontecesse?

As verdadeiras respostas, todavia, nunca serão totalmente dadas.

Provavelmente escrever-se-ão inúmeros tratados filosóficos elevando, com toda a justiça, o bombeiro Gonçalo a herói, por ter tentado ingloriamente salvar as pessoas à custa da sua própria vida. Publicar-se-ão extensos relatórios desenvolvendo excelentes teorias de como tudo poderia ter sido evitado. DIscurtir-se-ão, em sede universitária, longuíssimas teses de mestrado sobre o invulgar fenómeno "downburst" que tudo derreteu.

Mas ninguém se irá lembrar deste fim de semana. Como já se esqueceu Alcafache ou a ponte de Entre-os-Rios.

Porque a mente humana serve unicamente para equecer!

 

Nota do autor: não pretendo escrever mais sobre este triste assunto. Dói-me demais.

A gente lê-se por aí!

Ontem e hoje

Ontem continuei a obrigar-me a ver os noticiários. Acima de tudo para perceber como estavam a correr as coisas e como a sociedade política ia reagindo aos nefastos acontecimentos.

A determinada altura dei por mim a escutar esta fantástica frase de um comentador televisivo:

"O Estado deverá expropiar as terras que não são limpas pelos donos".

Ora bom... isto dito assim, num horário nobre, até pode fazer com que muita gente concorde e ache bem. Todavia, e conhecendo eu como conheço o panorama luso no que diz respeito aos Sapadores, só me apeteceu sová-lo selvaticamente. Fi-lo ainda assim mentalmente...

Há uns anos, não muitos, contratei na aldeia uma equipa de cinco Sapadores para limparem uma pequena mata. Combinados os preços da mão de obra e os dias de trabalho eis que surge um pedido estranho. Um deles solicitou que lhe adiantássemos algum dinheiro pois havia alguns meses que não recebiam o seu vencimento e já deviam muito dinheiro no posto da gasolina mais próximo.

Nessa altura peguei em mil euros e entreguei-lhes de forma a que pudessem fazer o dito trabalho. No final acertámos as contas.

Entretanto hoje li, nalgumas plataformas, que no Minho mais equipas de Sapadores não saíram por não terem viatura por estar avariada e não haver dinheiro para a reparar. Mais... alguns também ainda não haviam recebido o vencimento de alguns meses.

Perante estes factos como pode vir alguém para a televisão dizer que o Estado fará melhor trabalho que os particulares? Se nem para o mínimo há dinheiro... Ou será que sou só eu que estou a ver mal?

Seria bom que os comentadores antes de dizerem disparates se munissem de toda a informação possível. Só depois é que deviam falar.

Somos donos dos nossos silêncios e reféns das nossas palavras. Será bom nunca esquecer!

História dos nossos incêndios

O título sugere que fale aqui de outros grandiosos fogos que deflagraram em Portugal nos últimos anos, porém não é esse o intuito deste texto.

Deste modo recuemos meio século nas nossas vidas. Olhemos para o país dessa altura como se tivéssemos num aparelho como aqueles que agora invadem os nossos ares: um drone.

O que veríamos? Muita pouca floresta, imensos campos cultivados fossem de semeadura ou simplesmente de pastoreio. O povo acordava cedo e cedo pegava na enxada, gadanha ou foice e calcorreava caminhos para cortar a erva, ceifar as searas, mondar as batatas ou o milho. Lembro-me, a título de mero exemplo, do meu falecido avô ter cavado uma fazenda alcatifada de pedras, numa dúzia de dias, para aí depois lançar semente à terra. Sem dúvida outros tempos!

Mas um dia Portugal achou que era tempo de se modernizar. Dos portugueses serem todos iguais, vivessem na cidade ou no campo. De terem mais direitos.

E o país cresceu, desenvolveu-se e em muitas aldeias onde a água, só existia a do poço retirada à força de braços e a luz, a que a lamparina de azeite oferecia, passou a haver luz no tecto e água nos canos. O lume da lareira que cozia as couves e as batatas em viúvas panelas de ferro, foi naturalmente substituído pelo gás de bilha.

Foi a loucura da evolução. Só que…

As pequenas matas onde se recolhia a lenha para a tal lareira deixaram de ser limpas. Depois o velho forno onde era cozido o pão ou a broa, de quinze em quinze dias, deixou de trabalhar porque alguém passava com a carrinha com pão quente todas as manhãs, acordando muito cedo a aldeia. Ora deixou então de ser necessário semear trigo, milho ou o centeio.

Em pouco tempo as matas cresceram exponencialmente. A título de exemplo uma fazenda onde hoje (ainda) existe um pinhal, foi durante muitos anos terra de semeadura e deu centenas de alqueires de milho e trigo, durante dezenas de anos.

O povo aldeão, essencialmente o mais novo, começou então a procurar nas vilas e nas cidades mais costeiras novas formas de rendimento. E diziam quando de lá vinham: em Lisboa é que é vida.

Iniciou-se assim o abandono das terras. Os pais ficavam, mas os filhos partiam. A idade, as doenças e aquela pensão que nunca imaginaram receber obstaram entretanto a que os terrenos continuassem a ser amanhados. Não havia necessidade.

E a floresta a crescer. Desordenadamente!

A terra já não dá milho nem trigo mas dá madeira. E muita e bem paga… e sem trabalho. Nascem assim os eucaliptais e os pinhais bravios. Estes alastram-se desmesuradamente. Até aos dias de hoje.

O mesmo drone que planou no nosso passado, referido acima, deixou agora de ver campos semeados, verdes ou doirados, somente enormes manchas de arvoredo que paulatinamente se estão a transformar em manchas de carvão.

Portugal soltou-se de ser um país essencialmente agrícola, como o fora durante séculos, para se tornar um paraíso em prestação de Serviços. Esplêndido… observaram muitos!

Estamos a pagar por isso.

Pela forma como a nossa classe política nunca olhou para este problema com olhos de ver. E sempre empurrou com a barriga o problema.

Pela forma como tantos técnicos especializados afirmam o que está errado e ninguém os ouve.

Pela forma como o factor climatérico evoluíu negativamente sobre as nossas terras.

O custo de tudo isto começou o país a pagá-lo faz muito tempo, mas este ano o preço, infelizmente, está pela hora da morte.

Obviamente de gente inocente!

O Inferno existe!

Agora, muitas horas depois dos trágicos acontecimentos em Pedrogão Grande, consigo finalmente escrever algo mais sobre estes incêndios no centro do País.

Por aquilo que tenho assistido nas televisões, que hoje me obriguei a ver, pelos depoimentos das vítimas, pelas declarações de bombeiros, descobri que o Inferno existe e está (ainda) presente naquela zona de Portugal.

Este incêndio, ao que escutei, começou de forma natural, se uma trovoada seca for só por si algo natural! Depois foi o que se sabe e o número de vítimas, infelizmente, não pára de subir.

Muito se falará nos próximos dias sobre o que aconteceu, sobre o que poderia ser evitado, sobre o tipo de floresta que Portugal tem, sobre tanta coisa… mas daqui a um mês já ninguém quer saber. É (quase) sempre assim.

Restarão os que sobreviveram para contar estas tristes memórias, sem bens, sem meios, sem animais, sem forma de subsistirem. Mesmo com as campanhas solidárias, que já começaram a surgir, dificilmente a maioria das vítimas, que sairão desta tragédia, conseguirá refazer a sua vida.

O drama dos incêndios em Portugal continua, todos os anos, a fazer vítimas. Este ano prima pelo número infeliz de vidas humanas que foram atingidas de uma só vez. Não tarda nada que os governantes deste Portugal, venham publicamente dizer que vão disponibilizar verbas para ajudar os agricultores no tratamento dos terrenos altamente combustíveis devido à floresta lá naturalmente implantada. Como sempre fazem nestas alturas!

Mas digo eu, daqui deste espaço que ninguém vai ler, que se o afirmarem será profunda demagogia. E mentirão com quantos dentes têm na boca.

Portanto meninos da “geringonça” ficarei atentamente à espera das futuras declarações! Porque o Inferno existe mesmo!

Perguntem aos desgraçados em Pedrogão Grande!

Nem sei que dizer...

...Nem o que escrever!

Neste momento nada vale o que qualquer um de nós, longe do inferno Dantesco que se viveu e ainda vida em Pedrogão Grande, possa eventualmente pensar ou sentir.

Mais uma vez o pinhal como combustível com a mãe Natureza a ser a incendiária.

Estou profundamente triste.

Uma pessoa luta a vida inteira para ter algo e num segundo tudo perde... Até a própria vida!

 

 

Decididamente... tropical!

Estou em módulo... derreter. São quase onze da noite e está um calor lá fora, quase irrespirável.

Abençoado dinheiro que gastei em aparelhos de ar condicionado. De outra forma esta noite dormiria na banheira repleta de água fria.

E depois ao fim da tarde... choveu! Alguém percebe este tempo?

Dizem que em África é assim!

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